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11 outubro 2024

O Vento me disse...#94: Não era pra ser uma história de amor - Sarah Adler

14:11 0 Comments

 



NÃO ERA PRA SER UMA HISTÓRIA DE AMOR 

Autora: Sarah Adler

N° de páginas: 304

Editora: Arqueiro

Ano: 2023

Skoob: Aqui


Uma viagem improvável reúne um escritor cínico, uma eterna romântica e uma urna funerária, mudando suas vidas para sempre. Millicent Watts-Cohen tem uma missão a cumprir. Determinada a reafirmar o poder duradouro do amor, ela decide levar as cinzas da Sra. Nash, uma idosa de 98 anos que se tornou uma grande amiga, de Washington até a Flórida. Seu objetivo: reuni-la, ainda que simbolicamente, ao grande amor de sua vida, oitenta anos depois.Mas as coisas não saem como previsto por Millie. Depois que uma pane geral no sistema de aviação cancela todos os voos, ela acaba pegando uma carona com Hollis Hollenbeck, um antigo colega do seu ex, que está indo de carro até Miami. Ele é um escritor enfrentando um bloqueio criativo e certamente não acredita no clássico “felizes para sempre”.Ao longo de muitos quilômetros de estrada, enquanto os dois discutem sobre a playlist ideal para a viagem e lidam com restaurantes exóticos, uma pousada de gosto duvidoso, um festival de brócolis e um cervo histérico, Millie começa a suspeitar que seu relutante parceiro pode gostar mais da companhia dela do que deixa transparecer.E, quanto mais perto eles chegam do destino, mais ela se vê forçada a admitir que essa viagem não é apenas sobre a história de amor da Sra. Nash – talvez seja sobre a dela também.


Não era pra ser uma história de amor de Sarah Adler que foi publicado no Brasil pela Editora Arqueiro, é uma daquelas leituras que te proporciona uma história leve, algumas risadas e de quebra, te faz refletir sobre o amor e suas surpresas.  A trama gira em torno de Millicent, uma ex-celebridade mirim com uma missão um tanto peculiar: levar as cinzas de sua amiga de 98 anos, Sra. Nash, de Washington até a Flórida, para reuni-la simbolicamente com o grande amor de sua vida.


A viagem, que já começa com um toque de comédia/desastre devido a uma pane no sistema de aviação, se torna ainda mais interessante quando Millie pega carona com Hollis Hollenbeck, um escritor cínico que vem enfrentando um bloqueio criativo, que além de ser um ex-colega de seu ex-namorado é totalmente o oposto de Millie em relação as crenças sobre o amor. Tenho que dizer que esse início me lembrou o filme "Forças do destino", protagonizado por Sandra Bullock e Ben Affleck nos anos 90, obviamente, as histórias são diferentes mas tenho que já adiantar que esse clima de "filme de sessão da tarde" permeia a trama.


Ao acompanhar essa jornada dos protagonistas, vamos acompanhando diálogos espirituosos, situações divertidas (como um festival de brócolis e um cervo histérico), e momentos de introspecção que fazem o leitor torcer pelo improvável casal. A química entre Millie e Hollis é palpável, e é impossível não se envolver com suas discussões. De modo geral, o que mais gostei foi o fato de não ter tantas situações dúbias em que os personagens querem uma coisa e fazem outra, acho que eles são até bem diretos no que desejam. 


Sarah Adler consegue equilibrar humor e emoção, criando personagens autênticos e adoráveis. A escrita é leve e envolvente, perfeita para quem busca uma leitura descontraída, mas com uma boa dose de profundidade. O livro narra não só as vivências dos protagonistas como também volta no tempo mostrando um pouco sobre o amor da Sra. Nash na época da guerra e tal, acredito que essa escolha foi interessante pra gente ter mais empatia pela jornada da Millie em levar as cinzas da amiga. Apesar dos pontos favoráveis preciso confessar que demorei um pouco pra terminar a leitura (parei ela umas três vezes), mas não consigo dizer se foi pela narrativa da autora ou se simplesmente não estava tão no clima. Nesse sentido, deixo com vocês a decisão da leitura dessa história.


Por fim, acredito que a mensagem final de Não era pra ser uma história de amor, de que o amor pode surgir nos momentos mais inesperados e de que vale a pena acreditar nele, foi transmitida perfeitamente. Recomendo para quem está em busca de um romance leve e cheio de ❤️.





19 agosto 2024

O Vento me disse...#93: A Verdade sobre amores e duques - Laura Lee Guhrke

10:00 0 Comments


A VERDADE SOBRE AMORES E DUQUES 

Autora: Laura Lee Guhrke

N° de páginas: 320

Editora: Harlequin Books

Ano: 2018

Série: Querida conselheira amorosa #01

Skoob: Aqui


Henry Cavanaugh, duque de Torquil, anseia por uma vida ordenada e previsível. A única que o ajuda com isso era a mãe... até ela se apaixonar por um artista e decidir seguir o conselho amoroso de Lady Truelove, largando tudo para seguir os desejos do coração. Agora Henry vai exigir que a mulher mexeriqueira que deu aquele conselho imprudente o ajude a impedir que o nome da sua família acabe na lama.Irene Deverill é o que a sociedade londrina considera uma ovelha negra: dirige o jornal da família, é uma solteirona e tem orgulho disso! Mas ninguém sabe que ela possui um grande problema nas mãos: o duque de Torquil demanda que ela o ajude a resolver os problemas da sua família. Esse relacionamento forçado fará despertar nela sentimentos que nunca pensou possuir.



    A Verdade sobre amores e duques é um romance de época que mistura drama e romance, que foi escrito por Laura Lee Guhrke. Publicado em 2018 pela Editora Harlequin Books, a história gira em torno de Henry Cavanaugh, o duque de Torquil, e Irene Deverill, uma mulher independente que dirige o jornal da família. 


    Henry é um homem que preza pela ordem e pela reputação da família, ele vê sua vida virar de cabeça para baixo quando sua mãe decide seguir os conselhos amorosos de Lady Truelove, uma colunista de conselhos amorosos que faz parte do jornal da Irene. A mãe de Henry se apaixona por um artista e decide largar tudo para seguir seu coração, o que leva Henry a confrontar Irene para resolver essa "bagunça".


    A querida Irene (ou a própria Lady TrueLove) é uma mulher à frente de seu tempo, que ao comandar o jornal da família sustenta não só uma irmã como também o pai alcoólatra. Ela não tem vergonha de ser uma "solteirona" como muitos apontam, pelo contrário, ela se mostra uma mulher espirituosa e determinada, que luta pelos direitos das mulheres, é independente e não tem medo de enfrentar o duque e sua arrogância.


    O ambiente que a autora nos apresenta une elementos essenciais para as leitoras que gostam de tramas de época. Romance, diálogos afiados e situações cômicas que equilibram os momentos mais tensos, protagonistas que não se gostam e depois vão construindo um caminho, despertando uma tensão que ambos não esperavam. Para mim, essa construção é um dos pontos positivos dessa história, pois quanto mais vou envelhecendo, mais as histórias de amores a primeira vista não me agradam tanto. Então, quando a narrativa demora um pouco mais pra desenvolver o romance, ela é mais crível para mim. Nesse sentido, penso que algumas pessoas podem não apreciar tanto a forma como a autora conduz a história ou até certos personagens. 


    Falando neles, acho que o mais "odioso" deles é o mocinho, o duque possui atitudes realmente detestáveis. Acusa a mocinha por coisas que ela não tem culpa, é arrogante, se acha no direito de certas coisas e que a mocinha deve ceder as suas vontades simplesmente por ele ser um homem aristocrata. Enfim, é inegável que muitas das suas atitudes podem ser consideradas machistas (especialmente quando analisadas sobre o nosso olhar atual). Todavia, acredito que o público que ama romance de época, assim como eu, consegue entender o contexto e todo o universo narrado, até porque o livro não apresenta nenhuma atitude tão grave, além de mostrar uma evolução do personagem que com o tempo vai mostrando um lado mais vulnerável e apaixonado. 


Os capítulos serem alternando entre os pontos de vista de Henry e Irene, nos permite entender melhor as motivações e os sentimentos de cada um. Isso adiciona uma profundidade à trama, pois, conseguimos ver como cada personagem lida com os fatos que vão acontecendo.



    A Verdade sobre amores e duques é uma boa leitura para quem gosta de romances de época com protagonistas fortes e teimosos. Laura Lee Guhrke nos entrega um romance que une elementos já conhecidos e adiciona outros que tentam diferenciar a trama das demais. Não diria que é um dos meus favoritos, mas também não diria que tem uma história ruim. Recomendo especialmente para quem já curte o gênero. 

04 março 2022

Carta ao leitor (a): Feios - Scott Westerfeld

19:12 0 Comments


Querido (a) leitor (a),


A primeira edição de Feios de Scott Westerfeld foi lançada no Brasil há quase uma década pela Galera Record, desde então, me perdi e me encontrei com ele algumas vezes ao longo desses anos, mas nunca me permiti mergulhar de fato no seu enredo, mesmo achando a premissa do livro realmente interessante. 

Basicamente, o livro conta a história de Tally, uma jovem de 16 anos que não vê a hora de se tornar "perfeita". E isso acontece quando justamente na sua idade, os jovens passam por uma cirurgia que transforma a sua feiúra - ou simplesmente o que consideramos normalidade - em uma beleza padrão que deixa todos estonteantes, felizes e confiantes. Os feios e os perfeitos são divididos em uma sociedade pós-apocalíptica que se transformou ao longo do tempo e que é diferente do que conhecemos hoje. 

Quando adentramos a leitura começamos a extrair algumas intenções do autor, a começar pela critica dessa busca desmedida dos humanos em mudar suas características tentando se encaixar em um padrão de beleza esperado pela sociedade, algo que vemos na nossa realidade quando abrimos as redes sociais e encontramos fotos e mais fotos de pessoas com o mesmo tipo de roupa, cabelo, boca, nariz... Além dessa valorização sobre a beleza, vamos dizer assim, outro ponto que o autor crítica  - de maneira sútil - é o modo como o ser humano usa e abusa da natureza, de modo que na trama, a natureza acaba "devolvendo" anos de exploração e descuido. Todos estes pontos são bem envolventes e muito provavelmente seria o necessário pra tornar a trama simplesmente inesquecível, concorda comigo? Pois bem, seria... mas, entretanto, todavia... não foi! 

Infelizmente, o modo como a trama foi desenvolvida não me prendeu, a todo instante ficava com a sensação de que faltava algo na trama, mais ação, adrenalina, mais informações, mais carisma dos personagens, ahhhh esse é um ponto importante, os protagonistas, ao meu ver foram bem insossos e não conseguiram  gerar aquela empatia que permitiria que essa pessoa que vos escreve torcesse por eles e consequentemente pela trama. 

A protagonista, Tally, nunca questionou o sistema e sempre ansiou pelo momento em que deixaria de ser a "vesguinha", tudo aí dentro do esperado, no entanto, sua realidade acaba mudando quando ela conhece Shay, uma menina que não quer ser transformada. Coisas acontecem que fazem com que Tally parta em uma jornada em busca da sua amiga e do grupo de feios que "ameaça" o sistema. Essa jornada ocupa bastante páginas e assim estamos sozinhos com a personagem, conhecendo seus medos e desejos, o que poderia ser uma forma de se conectar com ela mais que pra mim, foi uma parte bem entediante da história pois justamente não consegui me concetar com a personagem. Quando Tally encontra a amiga e os "feios", ela conhece um dos líderes, David. E aquilo que poderia ser melhorado com o início de um relacionamento entre os personagens, se perde num romance apressado, sem profundidade e sem química - acho que meu cabelo tem mais química que esses dois. Haha 

Se não bastasse isso, as explicações para as consequências das cirurgias e o que aconteceu com a sociedade pra ela se encontrar de tal forma, é mostrado de uma maneira vaga. Além disso, mais pro final, em decorrência das decisões tomadas pela protagonista, ela acaba tomando uma atitude arriscada que serve como pano de fundo para o segundo livro da série e que ao meu ver, utilizou-se de um argumento bem fraco para acontecer, mesmo pra ela que buscava uma certa "redenção".

Por tudo o que disse até aqui, diria que o meu "caminho" com a leitura de Feios foi cheio de buracos e algumas pedras, mas no meio de tudo também encontrei uma flor, que me permitiu refletir sobre a nossa realidade e até que ponto um livro pode ser considerado ruim, tendo elementos tão interessantes. De modo que a leitura pode não ter funcionado pra mim em sua totalidade, mais que com você pode ser diferente. 


P.S. Olha os outros livros da série, inclusive, recentemente eles ganharam capas novas. Bem melhores na minha opinião. Em seguida, deixo a sinopse para caso você tenha a curiosidade.






Te vejo em breve, 


Nah 




SINOPSE 


 FEIOS
Autora: Scott Westerfeld
N° de páginas: 416
Editora: Galera Record
Ano: 2013
Skoob: Aqui


Tally está prestes a completar 16 anos e ela mal pode esperar. Não por sua carteira de motorista, mas para se tornar bonita. No mundo de Tally, seu aniversário de 16 anos traz uma operação que torna você de uma horripilante pessoa feia para uma maravilhosa pessoa linda e te leva para um paraíso de alta tecnologia onde seu único trabalho é se divertir muito. Em apenas algumas semanas Tally estará lá. Mas a nova amiga de Tally, Shay, não tem certeza se ela quer ser bonita. Ela prefere arriscar sua vida do lado de fora. Quando ela foge, Tally aprende sobre um lado totalmente novo do mundo dos bonitos que não é tão bonito assim. As autoridades oferecem a Tally sua pior escolha: encontrar sua amiga e a entregar, ou nunca se transformar em uma pessoa bonita. A escolha de Tally faz sua vida mudar pra sempre.






21 dezembro 2020

O Vento me disse... #90 - A Garota do Calendário: fevereiro - Audrey Carlan

15:35 0 Comments


A GAROTA DO CALENDÁRIO: FEVEREIRO
Autora: Audrey Carlan
N° de páginas: 130
Editora: Verus
Trilogia:  A garota do calendário #02
Ano: 2016
Skoob: Aqui
Compre: Aqui

Ela precisava de dinheiro. E nem sabia que gostava tanto de sexo. O fenômeno editorial do ano e best-seller do New York Times, USA Today e Wall Street Journal. Mia Saunders precisa de dinheiro. Muito dinheiro. Ela tem um ano para pagar o agiota que está ameaçando a vida de seu pai por causa de uma dívida de jogo. Um milhão de dólares, para ser mais exato. A missão de Mia é simples: trabalhar como acompanhante de luxo na empresa de sua tia e pagar mensalmente a dívida. Um mês em uma nova cidade com um homem rico, com quem ela não precisa transar se não quiser? Dinheiro fácil. Parte do plano é manter o seu coração selado e os olhos na recompensa. Ao menos era assim que deveria ser... Em fevereiro, Mia vai passar o mês em Seattle com Alec Dubois, um excêntrico artista francês. No papel de musa, ela vai embarcar em uma jornada de descobertas sexuais e lições sobre o amor e a vida que permanecerão com ela para sempre.




Na procura por uma leitura rápida que me fizesse entrar no clima literário - que perdi durante este ano - decidi entrar no mundo de Audrey Carlan, mais precisamente no mundo da Mia Saunders, A Garota do Calendário. É provável que você já tenha visto ou lido algo dessa série que é composta por 12 livros e que a cada volume apresenta às descobertas da protagonista em um mundo como acompanhante de luxo.

Eu comecei lendo pela segunda edição, A Garota do Calendário: fevereiro, e apesar das histórias não precisarem ser lidas em ordem e das informações básicas do enredo serem retomadas, acho que o melhor é começar pelo primeiro livro pois fica mais fácil de compreender o que levou Mia a trabalhar como acompanhante, o que aconteceu com os pais dela e quais as responsabilidades que a levaram a ser quem é.

Desse modo, tenho que começar pontuando que a trama realmente é rápida e tem uma temática bem promissora, afinal, como será que a personagem vai conseguir manter seu corpo e coração protegido em um mundo de possibilidades, vaidades e riquezas? 

Apesar disso, tenho que confessar que algumas coisas deixaram a desejar. Primeiro, mesmo sendo uma trama para o público adulto (+18) eu acho que a autora pecou no desenvolvimento dos diálogos, que foram praticamente nulos entre os protagonistas e que quando presentes eram envoltos de cenas sexuais que não trazia muita realidade aos personagens, algo que me desagradou em alguns momentos. E mesmo que o livro tenha uma determinada proposta, acredito que isto poderia ser melhor balanceado pela autora.

"Alec e eu apelamos o acordo de nos amar como amigos e tratar com respeito. [...] Nós continuaríamos nos preocupando um com o outro e teríamos um amor exclusivamente nosso. Poderíamos manter esse amor dentro de uma caixa em nossas lembranças e revisitá-lo se fosse preciso . Havia algo dolorosamente perfeito nisso". (p. 58)

Segundo, ao tempo que a protagonista se apresentava como uma mulher direta, objetiva e que seguia em frente com as suas escolhas, às vezes, ela tinha atitudes controversas. Um exemplo disso é quando ela foi tirar satisfação com o cliente do mês, o artista francês Alec Dubois, por ele ter pago o extra de 20% por ter transado com ela, fazendo dela uma "prostituta". Cara, vamos falar a verdade? Tudo bem que ela não precisava dormir com os caras se não quizesse mas de certo modo ela ainda assim estava alugando o corpo dela - seja para acompanhar um roteirista ou para ser a musa de um artista -,  ainda sim estava se prostituindo, "alugando" o seu corpo por dinheiro. Coisa que para mim não tem problema, desde que ela não se incomodasse em ser uma "puta", como se a mudança de nomenclatura para "acompanhante de luxo" fosse mudar a realidade de que ela transou com os caras e foi paga também por isso. A hipocrisia me pegou aqui, entende?

Apesar disso, acho que um ponto favorável da trama foi apresentar o amor (ou o que pode se chegar a ser dentro do cenário apresentado) de uma maneira diferente, mostrando que ele pode acontecer de diversas formas e que não precisa necessariamente ser para vida toda, sabe? O personagem do Alec representou bem isso e sua excentricidade (como boa parte dos artistas são retratados nos livros) e sua honestidade deixou uma lição que a Mia deve levar adiante, o de amar a si mesma. 



Série A Garota do calendário:

A série mostra a vida de Mia como acompanhante de Luxo, sendo que em cada mês ela fica com um cliente. Essa realidade dela dura um ano e foi a maneira que a encontrou para arrumar 1 milhão de dólares, exatamente o valor que o seu pai deve para um agiota. Assim, em cada mês, além de um cliente e uma cidade nova, Mia vive uma experiência que levará para toda sua vida. 


23 abril 2020

O Vento me disse... #89 - Á sua espera - Abbi Glines

15:28 1 Comments

À SUA ESPERA
Autora: Abbi Glines
N° de páginas: 240
Editora: Arqueiro
Trilogia:  Rosemary Beach #10
Ano: 2016
Skoob: Aqui
Compre: Aqui

Mase sempre preferiu a vida simples em seu rancho no Texas à agitação do mundo do pai em Rosemary Beach. Na verdade, ele quase nunca visita o famoso astro do rock e Nan, sua meia-irmã mimada e egoísta. Mas tudo muda quando conhece uma das empregadas da casa, uma garota linda que, sem saber da presença dele, o desperta com seu canto desafinado.Depois de anos sendo maltratada pela família e pelos colegas por causa de um distúrbio de aprendizagem, Reese conquistou sua liberdade e mora sozinha trabalhando como diarista para as famílias ricas da cidade. No entanto, seu sustento fica ameaçado quando ela causa um acidente na casa de Nan Dillon.Ao ser salva por Mase, um rapaz atencioso e com charme de caubói, Reese fica surpresa pelo gesto dele e, depois, apavorada quando ele demonstra interesse nela. Nunca na vida Reese conheceu um homem em quem pudesse confiar. Será que Mase pode ser diferente?Nessa ardente paixão que nasce entre a doce e batalhadora Reese e o centrado e sexy Mase, Abbi Glines mais uma vez mescla tristezas da vida real com amores de contos de fada e nos faz suspirar até a última página.


Como sempre tento ser verdadeira nas minhas opiniões (especialmente nas literárias), um único motivo me levou a ter À sua espera da autora americana Abbi Glines  - uma promoção! Gente, o livro estava com um preço maravilhoso e não tinha como não comprar, por mais que ele não fosse uma prioridade minha. E isso não quer dizer que eu achava que o livro era ruim (ainda mais sabendo da escrita da autora e da série, afinal, já tem uns anos que li o primeiro livro da série Rosemary Beach, o Paixão sem limites, e até que gostei da história). Mas o fato é que esse meu gostar não fez com que acompanhasse a série (esse é o 10° livro!). Por isso do primeiro fui para o decimo livro da série, o que não é um problema já que são histórias focadas em personagens distintos.

Por isso já adianto que não posso comparar essa história ou personagens com os livros anteriores (que apresentam histórias de casais diferentes, mais que eu sei que personagens desse livro já deram as "caras" antes). Esse é o primeiro volume da duologia que conta o relacionamento do Mase e Reese, e vou focar nas minhas percepções baseadas apenas no que a autora apresenta neste volume, certo?

"Agora eu tinha certeza de que era um aspirador de pó. E parecia uma versão muito ruim de 'Gunpowder & Lead', de Miranda Lambert."

De cara somos apresentados a uma passagem da vida da Reese que ela lutou para fugir e que ainda não conseguiu esquecer. É tenso e triste, ainda mais se você parar para refletir que no momento em que estiver lendo o livro (ou até mesmo isso aqui), tantas 'Reeses' estarão passando por algo parecido. A situação vivenciada por ela fará com que ela ganhe algumas  marcas emocionais e a levará morar sozinha em um cidade completamente nova. É em Rosemary beach que ela encontrará um amigo, é onde começará à trabalhar limpando as mansões que nunca pensou pisar e onde ela conhecerá Mase (um encontro que nunca vou esquecer justamente por ter citado a música da Miranda Lambert  que eu já disse ser uma das minhas favoritas, é só conferir a postagem aqui). 

Mase é um fazendeiro do Texas que não gosta muito de ser identificado como um dos filhos de uma estrela do rock. E apesar  de não lhe agradar muito, acaba decidindo se hospedar na casa do pai (enquanto ele e sua meia-irmã estão viajando) para assim visitar sua outra irmã que acabou de ter  um filho. É assim que em uma manhã ele acaba encontrando a mulher mais bonita e sexy que ele já conheceu. Para encurtar a conversa, os dois logo se sentem atraídos um pelo outro mais cada um tem seus próprios motivos para pensarem duas vezes antes de se envolver.

"Reese ia ter uma chance. Eu daria uma a ela."

Acho que o que mais chamou minha atenção ao ler a sinopse foi descobrir que a protagonista tinha um distúrbio de aprendizagem (algo que me interessa particularmente), eu queria saber o que era, como isso a afetava e como a autora trataria isso. Neste ponto devo dizer que esperava um melhor aprofundamento e acho que a autora perdeu uma chance de falar mais sobre, no entanto, eu entendo que a proposta do livro não é essa. 

Falando nisso, apesar de ser um livro bem new adult eu achei coerente como foi desenvolvido o romance dos dois. Ao tempo em que vemos o desejo de ambos - graças à uma narrativa intercalada - também vemos as dificuldades enfrentadas por eles, e de como aos pouquinhos eles vão ganhando confiança. Uma coisa que me agradou também foi o fato de apesar do Mase inicialmente apresentar características comuns de mocinhos do gênero (ser rico, pegar quem quiser, bonito, não querer compromisso) ele soube se "comportar" e não agiu como um brutamontes - o que venhamos e convenhamos, é o básico. Já sobre a Reese eu tenho que confessar que eu esperava um pouco mais de atitude (por mais que eu entenda sua insegurança), ela foi muito passiva e isso me cansou em alguns momentos.

"A aprovação dela aqueceu meu coração pela primeira vez em dez semanas, dois dias e cinco horas".

Observando bem eu acredito que a história poderia ser feita em um único livro, mais sei que o segundo livro, Ao seu encontro, deve explicar melhor o próprio passado da Reese, deve apresentar personagens super interessantes (membros da família...) e deve ter o romance dos protagonistas concretizados, já que neste volume foi mais como uma introdução, mostrando como eles se conheceram e dando uma dica de mais ou menos o que eles enfrentarão para estar juntos no final. 

À sua espera é um livro com uma base triste que apresenta graus de superação, apesar disso a leitura é rápida e fácil de acompanhar. Tem um cowboy interessante e uma protagonista bonita e emocionalmente afetada por experiências ruins do passado. É um romance que li em poucos dias e que nos prepara para uma história de amor e superação - que iremos encontrar, acredito eu,  especialmente no segundo e último livro que aborda o romance do Mase e da Reese. Por fim, o livro não se tornou um favorito, mais ainda sim foi além do que pensei que seria.



Sobre a série: 

A série Rosemary Beach conta a história de um grupo de pessoas que vivem neste local dos Estados Unidos. A série segue a seguinte sequência: 

Sem Limites (que fala da Blaire e Rush): Licros 1. Paixão sem limites, 2. Tentação sem limites e 3. Amor sem limites. 

Perfeição (que tem a Délia e o Woods): Livros 1. Estranha perfeição e 2. Simples perfeição. 

Chances (com Grant e Harlow): Livros 1. A primeira chance e 2. Mais uma chance. 

Para sempre minha que é livro único e tem Bethy e Tripp como protagonistas. 

Livros com a Reese e o Mase: 1. Á sua espera é 2. Ao seu encontro. 

O último Adeus que é o livro com o Capitão e Rose. 

Pegando Fogo que tem a Nam como protagonista.

03 fevereiro 2020

O Vento me disse... #88 - Cinquenta tons de liberdade - E. L. James

19:44 6 Comments

Cinquenta tons de liberdade
Autora: E.L. James
N° de páginas: 544
Editora: Intrínseca
Trilogia:  Cinquenta tons #03
Ano: 2012
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Quando a ingênua Anastasia Steele conheceu o jovem empresário Christian Grey, teve início um sensual caso de amor que mudou a vida dos dois irrevogavelmente. Chocada, intrigada e, por fim, repelida pelas estranhas exigências sexuais de Christian, Ana exige um comprometimento mais profundo. Determinado a não perdê-la, ele concorda. Agora, Ana e Christian têm tudo: amor, paixão, intimidade, riqueza e um mundo de possibilidades a sua frente. Mas Ana sabe que o relacionamento não será fácil, e a vida a dois reserva desafios que nenhum deles seria capaz de imaginar. Ana precisa se ajustar ao mundo de opulência de Grey sem sacrificar sua identidade. E ele precisa aprender a dominar seu impulso controlador e se livrar do que o atormentava no passado. Quando parece que a força dessa união vai vencer qualquer obstáculo, a malícia, o infortúnio e o destino conspiram para transformar os piores medos de Ana em realidade,...



   Cinquenta tons de liberdade enfim nos apresenta o desfecho da história do controlador Christian Grey e a teimosa Anastasia Steele. Sinto que serei breve neste relato pois acho que todos (ou quase todos) sabem quem são esses personagens (ainda mais depois da adaptação dos cinemas) e/ou já conhecem a sua história, portanto não carecendo de muitas apresentações.

   Neste último volume, podemos acompanhar como é a vida dos protagonistas depois de casados. Como era de se esperar, pequenos e grandes conflitos acontecem e vemos eles adaptando suas vidas à nova realidade. Sobre os protagonistas, percebi que o Chrstian evoluiu em relação aos livros anteriores pois mesmo  ainda querendo controlar tudo à sua volta, é perceptível o seu desejo de fazer com que a Ana permaneça e se sinta bem ao seu lado (mesmo que isso faça ele deixar o lado mais sombrio que esteve com ele por tanto tempo). Já a Anastasia continua um pouco teimosa, com algumas manias irritantes que de um modo geral acabamos relevando, ainda mais levando em conta todo contexto.

  A narrativa de E.L. James continua bem parecida com os outros primeiros volumes, ou seja, contendo certos vícios, enrolando um pouco e mantendo deusas interiores vivas, mais ainda sim envolvendo o leitor de uma maneira boa. Nem vou entrar muito nessa questão pois já falei (você pode conferir aqui e aqui) o que penso sobre a escrita da autora. De novidade nesse ponto, só um pouco de suspense que aparece com o retorno de um personagem imprevisível.

   Eu não acho esse livro da trama seja o melhor - pra mim continua sendo o cinquenta tons mais escuros - mais gosto dele pois enfim sabemos o desfecho da trama e de fato conhecemos o que levou o Christian a ser o que é. Acho que todas que lemos essa história procurava isso, não?

   A história criada pela E. L. James, publicada pela Intrínseca no Brasil, foi um dos meus primeiros contatos com a literatura erótica, isso ainda lá pra 2013. Fazendo um balanço, da primeira vez que li até a última, algumas das minhas percepções sobre a obra mudaram, ao tempo de hoje discordar de algumas coisas da trama. Apesar disso, o enredo criado pela autora americana ainda é um dos meus favoritos do gênero. Sem falar que é inegável a influência dele na expansão/consumo de histórias do gênero e como movimentou o mercado literário (foram mais de 125 milhões de exemplares vendidos), gerando milhões de dólares e novos leitores.

"É muito mais fácil lidar com a dor do lado de fora".

   Cinquenta tons de liberdade fecha com chave de ouro a história do Christian e da Ana. Uma história intensa, especial e única. Que veio para mostrar que o público feminino atual continua apaixonado por romances, e se eles envolvem algemas, dominadores, bondage e são mais picantes? Melhor ainda! haha

08 janeiro 2020

O Vento me disse... #86 - É Assim que acaba - Colleen Hoover

16:25 14 Comments
 
É Assim que acaba
Autora: Colleen Hoover
N° de páginas: 368
Editora: Galera Record
Ano: 2018
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Um romance sobre a força necessária para fazer as escolhas corretas nas situações mais difíceis. Da autora das séries Slammed e Hopeless.

Lily nem sempre teve uma vida fácil, mas isso nunca a impediu de trabalhar arduamente para conquistar a vida tão sonhada. Ela percorreu um longo caminho desde a infância, em uma cidadezinha no Maine: se formou em marketing, mudou para Boston e abriu a própria loja. Então, quando se sente atraída por um lindo neurocirurgião chamado Ryle Kincaid, tudo parece perfeito demais para ser verdade. Ryle é confiante, teimoso, talvez até um pouco arrogante. Ele também é sensível, brilhante e se sente atraído por Lily. Porém, sua grande aversão a relacionamentos é perturbadora. Além de estar sobrecarregada com as questões sobre seu novo relacionamento, Lily não consegue tirar Atlas Corrigan da cabeça — seu primeiro amor e a ligação com o passado que ela deixou para trás. Ele era seu protetor, alguém com quem tinha grande afinidade. Quando Atlas reaparece de repente, tudo que Lily construiu com Ryle fica em risco. Com um livro ousado e extremamente pessoal, Colleen Hoover conta uma história arrasadora, mas também inovadora, que não tem medo de discutir temas como abuso e violência doméstica. Uma narrativa inesquecível sobre um amor que custa caro demais.



   Eu ainda não sei bem como começar isso aqui. Fui atingida em cheio por uma história tocante, sensível e especial que somente Colleen Hoover poderia fazer. É assim que acaba, lançado no Brasil pela Editora Galera Record, é um livro que desperta um misto de emoções; senti amor, raiva, tesão, ódio... Amei o fato de ver que pessoas boas ainda existem e que com persistência podemos alcançar nossos sonhos, fiquei com raiva por ver que tem gente que não se controla e deixa o seu pior vir à tona, tive tesão em ver um enredo que apresenta um casal que apesar de tudo se ama e se deseja e ódio por saber que as coisas nem sempre são como a gente quer.

   É assim que acaba nos leva ao mundo de Lily, uma jovem mulher que apesar de ter crescido em um ambiente tóxico nunca deixou de lutar por aquilo que acreditava. Foi assim quando ela conheceu Atlas no passado e foi assim quando decidiu abrir o seu próprio negócio em Boston, EUA. 
Abrir uma floricultura não é fácil e saber que o carinha desconhecido que ela encontrou há uns meses em cima de um telhado quando ainda refletia a perda  do pai e que quase a fez ir contra o que ela achava ser certo, era o irmão da sua única funcionária, foi uma surpresa não tão boa para ela. Afinal, Ryle tinha o pacote completo (bonito, inteligente, gente boa e com uma carreira na medicina bem promissora) e não seria difícil se apaixonar por ele - o que  não seria um problema se ele não tivesse uma certa aversão a relacionamentos. 

  O fato é que a atração entre eles é imediata e logo os dois estão embarcando em um relacionamento que inicialmente é mil maravilhas. Algo que ao longo do tempo vai se modificando e que só piora com o aparecimento de Atlas, o grande amor da juventude de Lily. É nesse momento que vamos ver as tentativas da protagonista em quebrar o padrão que normalmente ocorre quando se estar preso a um relacionamento abusivo. 

   Com a narrativa da trama em primeira pessoa, intercalada entre passado e presente, o leitor vai conhecer a Lily na fase adulta e na adolescência, quando ela escrevia em um diário suas angústias juvenis. É com esse tipo de narrativa, típico da autora, que vamos encontrar um amor super fofo que desperta o nosso lado mais romântico e saudoso, e vamos nos deparar com a crua realidade que muitas mulheres vivenciam atualmente.

"Lily - diz ele, enfaticamente. - Não existe isso de pessoas ruins. Todos nós somos humanos e, as vezes, fazemos coisas ruins."

   Desse modo, apesar de todo o romance, este livro da Colleen se destaca por nos proporcionar  o exercício da empatia com as mulheres que sofrem com violência doméstica. Afinal, quantas vezes não nos pegamos julgando mais a mulher do que o agressor? Fazendo questionamentos: - Como essa mulher fica com esse cara? É falta de amor próprio, ela é pior do que ele... enfim, frases machistas que não representam as particularidades de cada situação e que mostram que o ser humano ainda tem que evoluir bastante. 

   Este livro veio também para mostrar como é complicado romper com esse ciclo da violência, inclusive para o próprio abusador. Para vocês terem uma noção, eu terminei a leitura e não senti ódio pelo Ryle, por mais idiota que ele tenha sido. Meus sentimentos perpassaram a incredulidade, revolta... pena! Pena é a palavra certa, pena por tudo ter acontecido como foi. E que fique claro que não estou justificando e passando a mão na cabeça dele, não!, ele foi errado e o final foi mais do que justo. É só que... sabe quando você fica com a sensação de que tudo poderia ser diferente, que uma história seria outra se o "se..." fosse mais como a gente sonha e não como muitas vezes realmente é? 

   Por fim, eu poderia falar muito mais sobre o quanto eu gostei da maneira como a autora usou de uma experiência real e pessoal para dar vida a esses personagens (leiam a nota da autora, por favor), o quanto desejei que existisse mais "Atlas's" nesse mundo (que são gratos e pensam no melhor daqueles que amam) e mais "Allysa's" (melhor pessoa pra se ter de amiga), e o quanto eu gostaria que mais "Lily's" pudessem sair dos relacionamentos que as fazem mal e realizassem os seus sonhos. Nunca é tarde para tentar... saibam disso!

"Ás vezes você faz coisas que sabe que são erradas, mas que, de alguma maneira, também são certas? Não sei como explicar de forma mais simples."

   É assim que acaba nos traga para um enredo que simplesmente dilacera o coração. É um livro que nos faz refletir sobre o quão complicado é para quem vive em uma relação abusiva e o quão importante é interromper o padrão da violência desde o início. Leitura é entretenimento, mas também é alerta. Por isso fiquem atentas meninas. Leitura recomendadíssima! 



26 dezembro 2019

O Vento me disse... #84 - Um perfeito cavalheiro - Julia Quinn

11:44 15 Comments

Um perfeito cavalheiro
Autora: Julia Quinn
N° de páginas: 304
Editora: Arqueiro
Série: Os Bridgertons  #03
Ano: 2014
Skoob: Aqui
Compre: Aqui

Sophie sempre quis ir a um evento da sociedade londrina. Mas esse é um sonho impossível. Apesar de ser filha de um conde, é fruto de uma relação ilegítima e foi relegada ao papel de criada pela madrasta assim que o pai morreu. Uma noite, ela consegue entrar às escondidas no baile de máscaras de Lady Bridgerton. Lá, conhece o charmoso Benedict, filho da anfitriã, e se sente parte da realeza. No mesmo instante, uma faísca se acende entre eles. Infelizmente, o encantamento tem hora para acabar. À meia-noite, Sophie tem que sair correndo da festa e não revela sua identidade a Benedict. No dia seguinte, enquanto ele procura sua dama misteriosa por toda a cidade, Sophie é expulsa de casa pela madrasta e precisa deixar Londres. O destino faz com que os dois só se reencontrem três anos depois, Benedict a salva das garras de um bêbado violento, mas, para decepção de Sophie, não a reconhece nos trajes de criada. No entanto, logo se apaixona por ela de novo. Como é inaceitável que um homem de sua posição se case com uma serviçal, ele lhe propõe que seja sua amante, o que para Sophie é inconcebível. Agora os dois precisarão lutar contra o que sentem um pelo outro ou reconsiderar as próprias crenças para terem a chance de viver um amor de conto de fadas. Nesta deliciosa releitura de Cinderela, Julia Quinn comprova mais uma vez seu talento como escritora romântica.


Se nestes anos todos que a Editora Arqueiro publicou a série Os Bridgertons você não os conheceu, deixa eu fazer uma breve apresentação. A série da autora americana Julia Quinn conta, em cada livro, a história de amor de um dos filhos (as) da matriarca Violet Bridgerton. São oito filhos, portanto, são oito livros ( nove no total, já que tem um último livro que conta um pouco sobre a vida de cada um depois das suas histórias) com histórias independentes umas das outras e que podem ser lidos fora da ordem de publicação.

Esse é o terceiro volume e nele vamos acompanhar as aventuras de Benedict, o segundo filho mais velho da família. Com 30 anos e sem planos de arrumar uma esposa, sua mãe não vê a hora para que ele mude de ideia, afinal, ele não é mais um "jovenzinho" e pretendentes é que não faltam para ele escolher. Apesar de relutar a popularidade na sociedade londrina que o determina como "o partido mais cobiçado da temporada", Benedict acaba aceitando participar do baile de máscara que a sua mãe já vem preparando há um tempo (convivendo assim com as moçoilas e as suas mães casamenteiras). É neste local que ele conhece uma moça misteriosa que o encanta e que ele não sabe quem é. Os dois conversam brevemente e a atração entre ambos é instantânea, mas depois de um beijo a dama desaparece de sua vida assim como entrou, de repente! 

O que este Bridgerton não sabe é que a moça encantadora que por incrível que pareça despertou seus desejos de casamento, nada mais é do que Sophie Beckett, a filha bastarda de um conde. Sophie recebeu todos os cuidados que  uma pupila poderia ganhar de um nobre, mas nunca recebeu o carinho e respeito que uma filha deveria ter. Tudo só piora quando o seu pai se casa com uma viúva que tem duas filhas. O conde acaba morrendo e para sua infelicidade, a sua madrasta é que acaba ficando responsável pela casa e como num belo conto de fadas, ela acaba transformando nossa protagonista em uma verdadeira empregada. Num belo dia, Sophie que sempre sonhou em ser como uma dama da sociedade, tem seu sonho realizado e é lá que ela conhece e se apaixona por Benedict. Mas como sua vida nunca foi fácil, problemas surgem e a fazem se afastar do seu primeiro e único amor, que ela nunca esqueceu... mesmo depois de anos...

"Sophie não tinha ilusão quanto ao seu lugar na sociedade de Londres. Ela era uma camareira. Uma criada. E a única coisa que a separava das outras camareiras e dos demais criados era que ela experimentara o luxo quando criança. Fora educada com carinho, ainda que sem amor, e a experiência moldara seus ideais e valores. Agora, ela ficaria eternamente presa entre dois mundos, sem lugar definido em nenhum deles."

Quem já leu algum livro da Julia Quinn sabe que o melhor da autora é a maneira como ela envolve o leitor com a sua escrita, neste volume ela continua atingindo em cheio o seu público que não se cansa de acompanhar uma boa história de amor. Esse é o seu melhor! Além disso, ela também nos brinda com personagens que de cara torcemos, foi assim com a Sophie por exemplo. Desde as primeiras páginas que eu torcia para que desse tudo certo na sua vida, mesmo ela sendo a tipica mocinha indefesa que estamos acostumados a ver nesse gênero literário e que por muitas vezes queremos gritar: - ACORDAAAAA MINHA FILHAAAA!!!!! 

Já sobre Benedict tenho que confessar que apesar dele tomar algumas pequenas atitudes que não o deixa ser, aos meus olhos, um perfeito cavalheiro, também merece minha atenção. Bondoso, bonito, inteligente e teimoso são adjetivos que podem ser atribuídos ao personagem. Perto do fim da trama ele tem algumas atitudes que muitos leitores podem não gostar, apesar disso eu devo dizer que achei uma ideia bacana da autora pois tornou o personagem mais humano e dá uma dimensão para nós leitores, de como é difícil quebrar as barreiras sociais impostas pela sociedade, ainda mais no século XIX.

Acredito que muitos leitores podem se incomodar também com essa narrativa de amor à primeira vista, eu ainda acho que essa coisa de se apaixonar por uma pessoa, assim, tão rápido e lembrar de detalhes de um encontro que aconteceu há três anos como aconteceu neste livro, algo meio impossível e até meio forçado. Apesar disso, também é fato que a forma como tudo aconteceu foi importante para o desenrolar da trama. Acho que se estivesse no lugar da autora não mudaria isso, sabe? Por mais que tornasse a trama mais previsível e menos original. 

Um Perfeito Cavalheiro é narrado em terceira pessoa e apresenta as perspectivas de ambos protagonistas, o que nos permite conhecer e entender melhor o que se passa na mente desses personagens que tanto adoramos acompanhar. Mais uma vez a autora Julia Quinn nos envolve com uma história de amor que acalenta nossos corações e que nos faz sonhar, ao tempo que nos permite refletir: o que é perfeito para mim é para você? O que é ser perfeito? O perfeito realmente existe? Fica a reflexão.


"Ela deu um passo para frente e ele soube que sua vida havia sido mudada para sempre.”

CONFIRA RESENHAS DA SÉRIE JÁ FEITAS NO BLOG:


01-O duque e eu
02-O Visconde que me amava
04-Os segredos de Colin Bridgerton
05-Para Sr. Phillip, com amor


Livros da série lançado no país:



Família Bridgerton (para quem não sabe, os nomes dos irmãos são em ordem alfabética).    


Capas originais:

12 agosto 2019

O Vento me disse... #83 - O Príncipe corvo - Elizabeth Hoyt

12:30 12 Comments

O Príncipe Corvo
Autora: Elizabeth  Hoyt
N° de páginas: 350
Editora: Record
Trilogia:  Dos Príncipes  #01
Ano: 2017
Skoob: Aqui
Compre: Aqui
Ao descobrir que o conde de Swartingham visita um bordel para atender suas “necessidades masculinas”, Anna Wren decide satisfazer seus desejos femininos... com o conde como seu amante Chega uma hora na vida de uma dama... Anna Wren está tendo um dia difícil. Depois de quase ser atropelada por um cavaleiro arrogante, ela volta para casa e descobre que as finanças da família, que não iam bem desde a morte do marido, estão em situação difícil. Em que ela deve fazer o inimaginável... O conde de Swartingham não sabe o que fazer depois que dois secretários vão embora na calada da noite. Edward de Raaf precisa de alguém que consiga lidar com seu mau humor e comportamento rude. E encontrar um emprego. Quando Anna começa a trabalhar para o conde, parece que ambos resolveram seus problemas. Então ela descobre que ele planeja visitar o mais famoso bordel em Londres para atender a suas necessidades “masculinas”. Ora! Anna fica furiosa — e decide satisfazer seus desejos femininos… com o conde como seu desavisado amante.

   O Príncipe corvo é uma obra da autora Elizabeth Hoyt que no Brasil foi lançado pela Editora Record, a trama é o primeiro volume da trilogia dos príncipes - que possuem histórias diferentes e podem ser lidos separadamente e em ordens diferentes -, e apresenta um romance de época adulto bem sensual.

"Por que os homens acham que dizer algo em tom de voz mais alto o torna verdadeiro?"
    
Anna Wren é uma jovem viúva que ficou responsável pelas finanças da família depois da morte do marido, ao ver a mesma se esvaindo ela sente a necessidade de procurar um trabalho. É quando ela acaba indo trabalhar para o conde de Swartingham, Edward Raaf. O conde não é uma pessoa fácil de lidar e tem um gênio que faz todos os seus secretários irem embora assim que a primeira oportunidade aparece, quando ele encontra Anna como sua nova empregada, apesar do estranhamento inicial por ela ser uma mulher, ele percebe que ela não é como os outros.

    Com uma personalidade forte, Anna enfrenta o conde de cabeça erguida e ao perceber que o seu corpo também o deseja, decide fazer algo. Edward frequenta um bordel em Londres para satisfazer suas necessidades e ao descobrir isso, Anna decide ir ao seu encontro e satisfazer também as suas necessidades com ele - sem que ele saiba de fato quem ela é. Assim, os dois se relacionam e esse torna-se um segredo que pode prejudicar Anna profundamente, tanto por parte da sociedade como do próprio conde que de certa forma foi enganado por ela.

    Definitivamente o que mais gostei neste história de Hoyt foi o fato da autora criar uma personagem que percebeu suas necessidades e que da sua maneira, lutou para satisfazê-las. Anna não ficou esperando que o conde a cortejasse e isso é um diferencial nesse tipo de livro. Muitas vezes me peguei pensando o quanto devia ser ruim viver em uma época que se exigia o máximo de decoro para a mulher e o mínimo para o homem, ainda hoje é assim, mas quando paramos para analisar vemos que muita coisa mudou.
Já o mocinho, o que eu gostei foi perceber que apesar dela ser considerada inferior, ele a respeitou e de modo geral, acho que ele não foi daqueles protagonistas "ogros" que mais parecem vilões que mocinhos.

"Sua vida sempre havia sido restrita assim, com seus limites tão estreitos que às vezes parecia uma corda bamba? Será que ela nada mais era do que sua posição na sociedade?"

    A narrativa é em terceira pessoa e está dividida entre os protagonistas e alguns personagens, que narram de maneira breve e aparecem em momentos que são necessários para o desenvolvimento de algumas situações. Uma coisa que eu gostei foi os inícios de capítulos começarem com uma fábula contando a história do Príncipe corvo, e essa história meio que podia ser associada ao momento em que se passava à trama.

    Como o livro apesar de ser de época é voltado para um público mais adulto, possui cenas eróticas mais explicitas do que em outros livros do gênero, isso foi uma escolha da autora e que ao meu ver foi um trabalho bem feito. Acho que a única coisa que eu encaro como ponto negativo na trama foi a maneira como a autora desenvolveu algumas situações. Por exemplo: quando o conde descobre que foi enganado pela mocinha, ele ficou super bravo, eu pensei que ele iria demorar um pouco mais de tempo para perdoar, mas não, ele logo vai atrás dela e quer porque quer se casar com ela.  Depois acontece algumas coisas que tornam esse finalzinho da trama mais do mesmo. Sei lá, confesso para você que esperava mais do final, acho que pela capa e pelo que o enredo inicialmente apresentou, eu criei uma expectativa para um final mais cru, mais realista e menos doce.

"Como era empolgante falar  o que pensava sem se importar com a opinião de um homem!"

   O Príncipe Corvo tem em sua essência um enredo que poderia seguir uma curva diferenciada desse gênero, pois a autora Elizabeth Hoyt criou protagonistas com personalidades bem expressivas. Ela conseguiu isso até perto do final, quando ela decidiu seguir para o lado mais romântico da coisa e seguiu a linha previsível do gênero. Não foi uma escolha ruim, visto que a trama continuou boa, mas definitivamente sua escolha não permitiu que a trama se tornasse "única".