O Chefão
Autora: Vi Keeland
N° de páginas: 300
Um romance sexy de um dos grandes nomes da literatura erótica mundial.Na primeira vez que vi Chase Parker não causei exatamente uma boa impressão. Eu estava escondida no banheiro de um restaurante, mandando mensagem de áudio para minha melhor amiga me salvar de um encontro horrível. Ele ouviu, disse que eu era uma canalha e começou a me oferecer conselhos não solicitados de namoro. Eu disse a ele que cuidasse de sua própria vida e voltei para meu encontro miserável. Ao passar pela minha mesa ele sorriu e eu assisti seu traseiro sexy e arrogante voltar para seu jantar. Não pude evitar trocar olhares com o idiota condescendente do outro lado do restaurante. Quando o deslumbrante desconhecido e sua acompanhante apareceram de repente em nossa mesa, pensei que ele iria me denunciar. Mas, ao invés disso, ele fingiu que nos conhecíamos e se juntou a nós – contando histórias elaboradas e embaraçosas sobre nossa suposta infância. E, sem que eu me desse conta, meu encontro tedioso se tornou extremamente excitante. Depois que nos separamos, não consegui parar de pensar naquele estranho que jamais veria novamente. Afinal, quais eram as chances de encontrá-lo de novo em uma cidade com oito milhões de pessoas?
Vi Keeland é conhecida por muitos leitores brasileiros por ser uma das escritoras do grande sucesso Cretino Abusado (livro que escreveu ao lado da escritora Penélope Ward). E mesmo com todo o sucesso confesso que nunca tinha lido nada dela e de tantos comentários positivos decidi dar uma chance a sua escrita. Então, se você é como eu que não conhecia nada dela, deixa te contar o que você vai encontrar em O Chefão, lançado este ano pela Editora Essência.
Reese estava em um restaurante com um cara chato, que tinha um papo chato que tornou seu encontro chato. Era tanto "chato" que para tentar se livrar da situação ela foi ao banheiro ligar para sua amiga pedindo que a mesma a ajudasse. Infelizmente para sua raiva, um desconhecido escutou tudo e jogou na sua cara o quanto a desculpa da ligação da amiga era "furada" e ainda deu a entender que o que ela estava fazendo não era certo. Bom, apesar da pequena discussão entre eles, foi com grande surpresa para Reese que o desconhecido apareceu, pouco tempo depois, em sua mesa e a salvou de maneira inesperada do encontro que tinha tudo para ser um desastre.
O desconhecido na verdade era Chase, o grande chefão que de início não era nada dela. É tanto que eles se despediram desse estranho encontro sem pretensões de se encontrarem no futuro (mesmo Reese sentindo uma certa atração por ele). Só que num dia o destino decide dar uma forcinha ao casal e faz com que eles se encontrem novamente. Agora além de ser um cara sex, bonitão, salvador de mocinhas em encontros ruins, Chase se torna o novo chefe de Reese e como podemos imaginar as coisas não são tão simples quando se namora o próprio chefe.
"— Jules? É a Reese. Onde você se meteu? Preciso de você. Estou no pior encontro da minha vida. Estou quase dormindo. Já pensei em bater com a cabeça na mesa algumas vezes para me manter acordada. A menos que você queira me ver sangrando e machucada, preciso que me ligue fingindo uma emergência. Me liga de volta. Por favor..."
Acredito que o que deve ser destacado neste livro é a maturidade dos protagonistas com relação ao envolvimento dos dois. Keeland soube fazer personagens coerentes que realmente me agradaram por mostrar esse aspecto que tanto valorizo. Neste sentido cito por exemplo a Reese; ela é bem reticente em se envolver com o Chase justamente por já ter vivido uma má experiência em seu trabalho anterior (quando se envolveu com um colega de trabalho), por outro lado, Chase tem uma certa dificuldade em se aprofundar em uma relação por já ter tido uma experiência que o marcou profundamente no passado. Por estes exemplos dá para entender o porque deles agirem e/ou pensarem da maneira como eles atuam no presente. Isso para mim é coerência entre personagens, características e situações.
Tenho que pontuar que Chase foi um dos mocinhos que mais gostei de acompanhar nesse mundo de literatura erótica, e deixa eu explicar o por quê. É comum nos livros do gênero os mocinhos serem meio narcisistas, sempre exigindo ou impondo isso e aquilo e, no caso dele eu não senti esses elementos tão presentes. O que senti foi um cara que sofreu para caramba, que tinha medo de seguir adiante e que só precisava de alguém que o fizesse enxergar que era hora de recomeçar.
Ahhhh e é claro que a obstinação fazia parte dele e da sua mente altamente criativa, coisa que chamou minha atenção e proporcionou momentos bem divertidos.
O livro é narrado em primeira pessoa, é intercalando entre a perspectiva da Reese e alguns flashbacks que aborda o passado do Chase. Com este tipo de narrativa vamos descobrir mais sobre o mocinho lentamente, coisa que não atrapalhou o ritmo da leitura ao meu ver.
"O medo não para a morte. Mas, sim, a vida”.
Por fim, Vi Keeland soube fazer com que O Chefão tivesse um certo equilíbrio entre os elementos que são tão comuns em livros do gênero. Além de ser feito de uma maneira em que os personagens ganharam à força necessária para cativar o leitor que gosta de ver personagens que apesar de viver situações difíceis no passado, estão dispostos a lutar pelo melhor que o presente pode oferecer.


