05 janeiro 2017

O Vento me disse...#55 - Alma? - Gail Carriger

20:38 15 Comments

Alma?
Autora: Gail Carriger
N° de páginas: 308
Editora: Valentina
Ano: 2013
Série: O Protetorado da Sombrinha #1 
Skoob: aqui
Alexia Tarabotti enfrenta uma série de atribulações sociais, quiproquós e saias justas (embora compridíssimas) em plena sociedade vitoriana. Em primeiro lugar, ela não tem alma. Em segundo, é solteirona e filha de italiano. Em terceiro, acaba sendo atacada sem a menor educação por um vampiro, o que foge a todas as regras de etiqueta. E agora? Pelo visto, tudo vai de mal a pior, pois a srta. Tarabotti mata sem querer o vampiro ― ocasião em que a Rainha Vitória envia o assustador Lorde Maccon (temperamental, bagunceiro, lindo de morrer e lobisomem) para investigar o ocorrido.Com vampiros inesperados aparecendo e os esperados desaparecendo, todos parecem achar que a srta. Tarabotti é a responsável. Será que ela conseguirá descobrir o que realmente está acontecendo na alta sociedade londrina? Será que seu dom de sem alma para anular poderes sobrenaturais acabará se revelando útil ou apenas constrangedor? No fim das contas, quem é o verdadeiro inimigo, e... será que vai ter torta de melado? Uma das séries de Steampunk mais cultuada do mundo.
S abe aquele livro que você conhece mais passa anos até que realmente tenha a oportunidade de ler? "Alma?" foi um desses para mim. O livro é o primeiro volume da série O Protetorado da Sombrinha e foi publicado no país pela Editora Valentina em 2013. O mesmo conta à história de Alexia Tarabotti, uma mulher - literalmente - sem alma que vive grandes situações em uma Londres Steampunk*. O curioso desse gênero e do livro, é que não se tem uma definição bem definida que poderia vir a classificá-lo. O livro pode ser considerado um histórico, adulto, sobrenatural ou melhor ainda, os três ao mesmo tempo.  Claro que isso só foi possível por causa da genialidade da autora Gail Carriger, que chamou atenção mundo a fora por sua originalidade e grande talento.

Se tem uma coisa que me chamou atenção neste livro foi o fato das criaturas sobrenaturais (vampiros, lobisomens, fantasmas) serem de conhecimento dos seres humanos "normais". Sendo a Alexia um caso a parte. Por fora ela era apensas uma descendente italiana, com uma cor mais escura e um nariz sobressaliente que a ajudaram a ser considerada pela sociedade, apenas mais uma solteirona. O que poucos sabiam é que além de possuir uma língua afiada, uma inteligencia elevada e um senso de humor no minimo peculiar,  a senhorita Tarabotti não era uma humana normal, pois lhe faltava algo, faltava alma. E isso meus caros, cabe destacar, tão pouco a fazia ser uma sobrenatural.

A nossa protagonista era apenas uma mulher a frente do seu tempo (época Vitoriana, século XIX) que por sua condição vivia normalmente entre os seres naturais e sobrenaturais, sem nunca ter se aproveitado de suas condições para atacar ninguém. Infelizmente, por uma situação que não estava nos seus planos, ela acabou matando um vampiro e com isso acabou entrelaçando sua vida de vez ao Lorde Maccon (represente do departamento de assuntos sobrenaturais) que a flagrou nesta situação. Por causa deste acontecimento, o mesmo decidiu ajudá-la a descobrir o que de fato aconteceu e paralelo a isso, começou a investigar os motivos de tantos seres sobrenaturais estarem desaparecendo. Ahhhh e é claro que a nossa heroína não ficaria de fora, né?

Algumas características da Alexia me lembram muito as mocinhas de romances de época, inteligentes e muitas vezes pouco agraciadas com a beleza, dessas que encontramos em histórias da Julia Quinn, Sara Maclean e Jane Austen. O mocinho apesar de ter uma característica  incomum - ser um lobisomem-, mantém elementos de um tipico protagonista ou seja; é viril, bonito, forte e quer proteger a mocinha. Sobre o romance dos mesmos, é bem verdade que pode ser considerado algo previsível, daqueles que produzem cenas de "tapas e beijos"- que devo confessar ser apaixonada - mais as situações que vivem e a sociedade que os cercam são totalmente diferentes, são novos para mim. Afinal, quem poderia imaginar vampiros infiltrados no alto escalão do governo, lobisomens na parte investigativa e fantasmas trabalhando para a rainha? 

Esse diferencial do livro foi algo que agradeci aos deuses. No meio de livros "mais dos mesmos" pude conhecer uma história que tinha elementos que gosto - como o romance, com direito a cenas bem apimentadas - e algo novo que eu pudesse admirar. Foi uma mistura de suspense, mistério e ação que me prendeu do início ao fim. Mesmo vampiros e lobisomens sendo personagens tão batidos atualmente.

A narrativa é simples e em terceira pessoa, mesmo assim conseguimos ver que a autora conseguiu demonstrar bem as características de cada personagem. O curioso é que apesar de ser uma série este primeiro volume possui um final sem pontas, com direito a epílogo e tudo. Não imagino outro final para ele e não posso imaginar o que deve vir nos próximos livros. Sobre a diagramação, revisão, capa e tradução? Nada a reclamar.

Por fim, indico Alma? a todos aqueles que gostam de romances, de seres sobrenaturais e de histórias de época. Indico para aqueles que gostam de um leve mistério e ação nas tramas e indico a você, que quer simplesmente algo novo, diferente. Te convido a conhecer o estranho mundo da Alexia Tarabotti. 

"O conde segurou o queixo da Srta Tarabott com uma das mãos enormes e, com a outra, puxou-a pela cintura, com firmeza em sua direção. Seus lábios tocaram os dela quase com violência.
Ela recuou. Só desse jeito você fica quieta."


"Steampunk é um subgênero da ficção científica que se tornou conhecido entre o fim dos anos 1980 e início dos anos 1990. O estilo se trata de obras ambientadas no passado, ou num universo fictício semelhante a uma determinada época real da história humana, onde os paradigmas tecnológicos modernos ocorreram mais cedo do que na História real..." (Trecho retirado site InfoEscola, ver mais aqui).

01 janeiro 2017

Meu Top - Livros que quero ler em 2017

17:03 4 Comments

Depois de uns meses de "férias" do blog estou de volta. E antes de tudo gostaria de desejar a você um 2017 mais que abençoado. Você que esteve comigo, mesmo nessas pequenas pausas meu muito obrigada também. 
Planejo várias coisas aqui no blog que não falarei o que é por acreditar que melhor do que falar é FAZER. Por isso espero te ver por aqui esse ano também, ano que completamos 2 anos no ar.

Como hoje é o primeiro dia do ano decidi fazer uma lista dos livros que pretendo ler esse ano. Vamos lá!

1. Como se fosse magia - Bianca Briones
Eva nasceu com o dom de passar os sentimentos para o papel, com isso conquistou milhares de leitores pelo mundo. Agora ela precisa escrever o último livro da sua série de fantasia, mas está com um bloqueio há um ano e não sabe o que fazer. Enquanto ela tenta se reconectar a seus personagens, a vida coloca em seu caminho um homem igualzinho a um dos seus protagonistas. O problema é que o desconhecido surge sem nenhuma lembrança de quem ele é. Enzo está muito confuso. A princípio, ele duvida da conversa maluca de Eva. Mas, mesmo com seu ceticismo, ele não pode negar que se sente extremamente ligado a ela. O que isso quer dizer? Envolvidos por esse curioso e estranho mistério, Eva e Enzo estão prestes a descobrir que às vezes para que duas pessoas se encontrem mundos inteiros são capazes de colidir.

Gente, eu li uma resenha super positiva desse livro em um blog e estou mais que curiosa para ler essa história. A Bianca Briones é uma autora nacional que eu pretendo conhecer a escrita e que é super elogiada na "blogosfera". 

11 dezembro 2016

Ler livros de banca também é bom - Sempre fui tua - Jessica Hart

13:43 4 Comments

Kate amava o homem que destruiu seus sonhos de adolescente! Kate foi apanhada de surpresa quando Luke, acariciando-lhe os cabelos com a mão, aproximou-se e beijou-a longamente. Num instante, passado e presente se fundiram, e nada mais importava. Ah em Paris, na noite chuvosa de inverno, com os lábios de Luke procurando avidamente os seus, Kate sentiu-se no meio de um bosque, em pleno verão. Nada havia mudado: o desejo profundo, a ansiedade na busca de seus lábios, a mão firme que a amparava. Eram as mesmas emoções, o mesmo abandono pelo homem por quem se apaixonara uma vez... e para sempre!

Como disse no Ler livros de banca também é bom anterior, muitas outras dicas seriam apresentadas até o fim do ano aqui no blog, pois bem, a dica de hoje é Sempre fui tua da Jessica Hart,  um livro que sem pretensão acabou me cativando. Não esperava nada por ele, até porque a sinopse não ajuda, no entanto, gostei dele e espero que vocês também.    

O livro começa em um teatro, Kate e uma amiga estavam esperando o retorno da peça quando a primeira acaba vendo um homem. Luke era o nome dele, e apesar de estar bem diferente não tinha como a protagonista não reconhecer, afinal, fora ele a sua primeira ilusão na adolescência. 
Nesses instantes os olhares dos protagonistas se encontram, mais como a Kate já esperava, Luke não a reconhece. 

No dia seguinte Kate vai a uma entrevista de emprego na London Project Management- uma empresa de consultoria sobre serviço de engenharia- e acaba descobrindo que quem procura uma secretária assistente que fala francês nada mais é do que o próprio Luke Hardman. Apesar do choque inicial e da grosseria do mocinho, ela acaba ficando no emprego. 

Falando no mocinho, devo dizer que o Luke tem o perfil daqueles homens que só vivem para o trabalho. É daqueles bem grossos que estão acostumados a mandarem e escutarem apenas sim como resposta. O que ele não esperava era encontrar uma secretária que além de eficiente também o respondia e não abaixava a cabeça aos seus comandos. E isso, caros leitores, foi um dos fatores positivos para mim.

Kate não tem aquele perfil “submissa” que é comum e que as vezes cansa nesse tipo de livro. Ela não deixa de responder as grosserias do mocinho que tem um gênio bem forte, afinal, ela tem atitude. E mesmo quando Kate percebe que está apaixonada por ele e os dois se envolvem intimamente ela não deixa de saber o que quer. Isso é um diferencial pois já tinha lido outras histórias com essa temática (patrão-secretária) e não tinha gostado tanto.

Por fim, além de todos os fatores citados devo destacar a forma como a autora conseguiu desenvolver a trama, de forma simples e maravilhosa. Os encontros e desencontros foram os necessários para que a trama entretesse sem que surgisse a sensação de que ela girava, girava e não saía do lugar. Enfim, indico a história pois gostei dos personagens, da narrativa da autora e principalmente da própria história.

26 outubro 2016

A Obra e suas capas - A Menina que roubava livros - Markus Zusak

22:46 2 Comments


Oi gente, hoje eu vou mostras as capas pelo mundo de um dos livros mais conhecidos. Estou falando de A Menina que roubava livros de Markus Zusak.
Definitivamente, a primeira versão do livro que foi lançada no Brasil (a segunda ai de cima) é a melhor na minha opinião. E sinceramente, não gosto dessa que foi baseada na adaptação do livro ao cinema. 

24 outubro 2016

O Vento me disse...#54 - O Teste - Joelle Charbonneau (Livro I)

01:00 9 Comments

O Teste
Autora: Joelle Charbonneau
N° de páginas: 320
Editora: Única
Ano: 2015
Skoob: aqui
No dia de formatura de Malencia ‘Cia’ Vale e dos jovens da Colônia Cinco Lagos, tudo o que ela consegue imaginar – e esperar – é ser escolhida para O Teste, um programa elaborado pela Comunidade das Nações Unificadas, que seleciona os melhores e mais brilhantes recém-formados para que se tornem líderes na demorada reconstrução do mundo pós-guerra. Ela sabe que é um caminho árduo, mas existe pouca informação a respeito dessa seleção. Então, ela é finalmente escolhida e seu pai, que também havia participado da seleção, se mostra preocupado. Desconfiada de seu futuro, ela corajosamente segue para longe dos amigos e da família, talvez para sempre. O perigo e o terror a aguardam.Será que uma jovem é capaz de enfrentar um governo que a escolheu para se defender?
Apesar de gostar de ler livros distópicos é um fato também que poucos são aqueles que não me decepcionam. Por isso, você não irá estranhar se disser que estava mais que desconfiada com O Teste, livro da autora Joelle Charbonneau que foi lançado pela Editora Única em 2014. Apesar dos meus receios me arrisquei na leitura e encontrei um enredo instigante, ou seja, um enredo que soube despertar e manter meu interesse até as derradeiras páginas.

O livro conta à história de uma jovem chamada Malencia Vale. Ela sempre teve o sonho de entrar para a universidade e se tornar uma grande líder para sua colônia (a menor de todas desde que a nação fora dividida no pós-guerra). Para chegar a tanto, Cia tem que passar primeiro pelo Teste- um programa criado pelo governo que seleciona a cada ano apenas os melhores alunos de cada colônia.
O pai de Cia já tinha participado do Teste só que não se lembrava de muitas coisas pois sua memória tinha sido apagada (assim como a dos demais participantes), no entanto, ele tinha sonhos e esses o faziam não desejar que a filha fosse escolhida para o programa, agora, quando acontece dela ser chamada (e não pode haver uma negativa) ele faz um alerta: não confie em ninguém.

Cia logo entende o porque do conselho do pai. O Teste não é apenas uma avaliação de quem poderia ser o melhor ou mais inteligente. Quem comete erros acaba pagando muito caro e quem consegue concluir o processo não se lembra de nada e nunca mais vê a sua família. Para sobreviver  -literalmente - ao Teste, Cia, terá que enfrentar várias etapas que se tornam cada vez mais difícil a medida que avança e tem que ficar de olho na concorrência, inclusive naqueles que dizem ser seus amigos, afinal, apenas 20 pessoas são aprovadas e, quem fica para trás não tem outra chance.

É bem verdade que num todo, a ideia do Teste não é tão original assim, afinal, não é a primeira vez que vejo um mundo dividido em colônias e que um grupo de jovens destas "acabem" tendo que lutar por suas vidas (vide Jogos Vorazes). No entanto, apesar do livro da Joelle ter um ou outro elemento que nos remete uma distopia já conhecida em nenhum momento deixa de ser algo novo, diferente e bom de se acompanhar.  

A narrativa do livro é voltada para o publico juvenil e em primeira pessoa, algo que gostei bastante. No entanto, confesso que a escrita da autora envolve muitas descrições e isso foi algo que me deixou confusa inicialmente. É até "normal" que isso aconteça tendo em vista que O Teste é o primeiro volume de uma trilogia e que por tanto serve como uma "introdução" ao mundo criado pela autora, são muitas coisas para o leitor assimilar. A verdade é que se por um lado temos mais detalhes das coisas, personagens, locais e situações e assimilamos mais o ambiente, por outro lado, a trama se torna mais lenta e um pouco demorada para engrenar.

Outro ponto positivo são os personagens criados pela autora, sinceramente gostei de todos. As características destes foram delineados de uma maneira correta e mostrados de acordo com as situações vividas por eles. Cia foi uma grata surpresa para mim. Ela foi real e natural durante todo a trama, ou seja, ela tinha seus sonhos como toda garota tem na idade dela e quando percebia que precisava fazer alguma coisa que ia contra aquilo que aprendeu, ela sentia medo (algo que algumas heroínas não demostram nos dias atuais).

Apesar da Cia possuir todos esses elementos favoráveis devo confessar que uma coisa me incomodou e acredito ser um ponto negativo da trama. A Cia se torna uma personagem perfeita demais, ou seja, ela não erra nunca, suas respostas e intuições sempre a levam pelo caminho "correto". Não sei se vocês me entendem, mais por exemplo: a Katniss de Jogos Vorazes para chegar onde chegou acabou errando algumas vezes e isso foi natural já que ela adentrava  num mundo totalmente diferente do seu, no entanto, no caso do Teste, a Cia sempre consegue se sair, brilhantemente, das situações complicadas. É um pouco crível para mim ver uma menina que mal começou a vida adulta, que não viveu muitas experiências e que veio de uma colônia super pequena consiga os feitos que ela conseguiu na trama.  Eu sei que quando analisamos o contexto do livro que pune, ás vezes com a própria vida, aqueles que erram, é "desculpada" essa pequena falha (já que se ela errasse poderia morrer) - agora, lá no fundo, continuo achando que a autora poderia ter criado uma maneira de induzir erros sem trazer grandes consequências para a protagonista, mais esse é outro assunto que não pretendo me ater neste texto.

Apesar deste último ponto não esperava gostar tanto deste livro como gostei, afinal, o livro nos faz pensar sobre o papel do líder na sociedade e o que as pessoas são capazes de fazer para chegar e se manter no poder. A trama também me fez refletir como viveríamos se tivéssemos uma outra guerra mundial e nossos rios, lagoas, florestas e solos fossem contaminados. Por fim, espero que a Joelli Charbonneau continue com uma história bem desenvolvida no segundo livro - Estudo Independente - e também espero continuar com boas opiniões a respeito. Por hora, sem grandes alardes, indico a leitura desta trama. 

" Não depois de tudo o que testemunhamos e as coisas que fomos forçados a fazer. Desistir seria como admitir que nada importou. E precisa importar. E precisa ser lembrado".
   

21 outubro 2016

Vento Musical - Playlist Novelas Mexicanas protagonizadas por Adela Noriega

22:45 2 Comments


Hoje vi uma postagem no blog da Carol, A colecionadora de histórias, onde ela mostra uma playlist de músicas que fazem parte de novela mexicanas, e se você acompanha o blog sabe o quanto gosto de novelas latinas. Pensando nisso, decidi fazer uma postagem envolvendo essa temática. 

Há quase três meses fiz a primeira postagem do "Vento Musical", que foi a coluna que criei para que pudesse falar sobre cantores e músicas que gosto aqui no blog . Logo mais, vamos ver no Vento Musical minha playlist de músicas de novelas mexicanas. Mais especificamente, as músicas são de novelas que foram protagonizadas pela atriz Adela Noriega- uma das minhas atrizes favoritas.

16 outubro 2016

O Vento me disse...#53 - A Promessa da Rosa - Babi A. Sette

23:27 2 Comments


A Promessa da Rosa
Autora: Babi A. Sette
N° de páginas: 432
Editora: Novo Século
Ano: 2015
Skoob: aqui

Século XIX: Status, vestidos pomposos, carruagens, bailes… Kathelyn Stanwell, a irresistível filha de um conde, seria a debutante perfeita, exceto pelo fato de que ela detesta a nobreza; é corajosa, idealista e geniosa. Nutre o sonho de ser livre para escolher o próprio destino, dentre eles inclui o de não casar-se cedo. No entanto, em um baile de máscaras, um homem intrigante entra em cena… Arthur Harold é bonito, rico e obstinado. Supondo, por sua aparência, que ele não pertence ao seu mundo, à impulsiva Kathelyn o convida a entrar no jardim – passeio proibido para jovens damas. Nunca mais se veriam, ela estava segura disso. Entretanto, ele é: o nono duque de Belmont, alguém bem diferente do homem que idealizava, só que, de um instante a outro, o que parecia a aventura de uma noite, se transforma em uma paixão sem limites. Porém, a traição causada pela inveja e uma sucessão de mal-entendidos dão origem ao ciúme e muitas reviravoltas. Kathelyn será desafiada, não mais pelas regras sociais ou pelo direito de trilhar o próprio caminho, e sim, pela a única coisa capaz de vencer até mesmo a sua força de vontade e enorme teimosia: o seu coração.

Dizem que nós, mulheres, eramos  as primeiras a julgar e levar às outras mulheres ao escárnio e margem da sociedade, dizem também, que fomos nós as primeiras em transformar os graves erros dos homens em simples defeitos comuns... infelizmente, concordo até certo ponto com essas afirmações e o que é pior, temo que em pleno século XXI ainda ocorra tais absurdos (mesmo que de forma velada e diferenciada). Em A promessa da Rosa, livro da autora brasileira Babi A. Sette que foi publicado pela Editora Novo Século no Brasil, vamos conhecer uma personagem que  sofreu com o julgamento dos desconhecidos, daqueles que eram seus amigos, do homem que amava e até mesmo da sua própria família. Julgamentos que vieram pelo fato da mesma ser a frente do seu tempo, ou simplesmente, por ela ser como é (e não como se era esperado por uma sociedade machista).

Kathelyn nunca fora uma “dama” nos moldes que uma moça londrina do século XIX deveria ser. Desde criança mostrava ser diferente, no lugar de vestidos e laços o que ela mais gostava era de subir em árvores e montar cavalos. Isso sempre gerou grandes reprimendas do seu pai que mesmo com o tempo decorrido nunca conseguiu "controlar" a personalidade forte da filha, que em sua primeira temporada acaba participando de um baile de máscaras e finda conhecendo um homem que para ela “não tinha o aspecto de um cavalheiro”. Este nada mais era do que Arthur, o duque de Belmont, que depois de descobrir quem era a moça que parecia saber tudo sobre antiguidades faz um acordo de casamento com o pai dela sem que ela saiba de tal fato (já que o mesmo pretendia conquistar ela antes de anunciar o casamento). Por esse motivo, Arthur, corteja e faz de tudo para que a Kathelyn goste dele- posso adiantar que ambos acabam se apaixonando um pelo outro, de verdade. E é nessa normalidade que decorre o que chamo de primeira parte da trama.

Confesso que essa "primeira parte" me lembrou alguns aspectos do livro Whitney, meu amor da autora Judth McNaught. Para ser mais especifica, cito o encontro dos protagonistas que foi em um baile de máscaras, a parte em que a mocinha “desdenha” dos títulos da nobreza, sem saber que ela fala com um nobre e o fato do casamento ser arranjado sem que a protagonista saiba. É verdade que as semelhanças param por ai, pois se o enredo de Whitney, meu amor  não tem grandes consequências a partir do casamento dos protagonistas, em A Promessa da Rosa, muita coisa se desenvolve, agora, não com o casamento, mais sim, com o NÃO casamento da Kate e o Arthur.

Por uma situação embaraçosa e algumas artimanhas o casamento dos protagonistas acaba não acontecendo. E como se era de esperar, quem sofreu com as maiores consequências desse fato foi a Kathelyn, que foi julgada como uma mulher "qualquer" pela sociedade. Expulsa de casa, ela enfrenta a fome, o desespero, o isolamento e o desprezo daqueles que deviam amá-la incondicionalmente. Estes momentos fizeram com que ela, três anos depois, se transformasse em Lysa Borelli; uma viúva, cantora de ópera e o mais importante para a sociedade (machista), uma amante exímia e de uma beleza angelical. A verdade é que "Lysa" de certa forma era uma personagem, que foi criada basicamente da imaginação do que os outros pensavam sobre ela e que foi alimentada por ela e seus grandes amigos Steve, Philipe, Jonas e sua preceptora Elsa (que se tornou uma mãe para ela desde que fora expulsa de casa). Assim, Kate ganhou fama, dinheiro e uma série de bajuladores. Em Paris, quando pensava já estar livre de qualquer influência do passado, ela acaba reencontrando aquele que foi o responsável pela sua ruína. Belmont estava disposto a tudo para tê-la novamente e Kate, apesar de tudo, estava presa em um amor inacabado, em um passado complicado, em um desejo de vingança e uma eterna promessa.

Este ponto do livro da Babi A. Sette é mais intenso e dramático pois possui elementos que tornam a trama bem mais consistente e interessante para o leitor. Lysa Borelli é o resultado das experiencias de vida da Kathelyn. E que experiencia meus caros. A personagem sofre muito (apesar da autora não entrar em detalhes) para chegar onde chegou.  E é neste momento, quando conhecemos as consequências de ser diferente daquilo que se espera de uma mulher da "sociedade", que refletimos... Foi nesse momento que caiu a ficha! Quantas mulheres não devem ter sofrido como a protagonista nos séculos passados? E o que é pior, quantas e quantas não sofrem, mesmo que não seja tão abertamente e de forma diferenciada, nos dias atuais? 
O diferencial de A Promessa da Rosa é esse, é a capacidade de uma história aparentemente "simples" e "romântica" nos fazer refletir sobre o papel da mulher na sociedade atual, o quanto o "machismo" ainda está enraizado na nossa cultura e o modo como ele, ainda, emprega preconceitos.   

Sobre o enredo, confesso que dois pontos me deixaram um "sabor amargo na garganta": a "vingança" que não foi feita necessariamente pelas mãos da Kathelyn (o que talvez tenha sido o caminho mais fácil para a autora) e o desfecho de um personagem (que merecia mais que a morte). A verdade é que o destino e o tempo acabou dando suas cartas e por mais que não fosse o que eu esperava, não deixou de ser algo positivo.

Por fim, a leitura da obra foi uma grata surpresa para mim, que não conhecia nada da autora. As mais de quatrocentas páginas passaram "voando" a medida em que a história se desenrolava, intercalando as visões de ambos protagonistas. Falando neles, encaro o envolvimento da Kate e do Arthur, pela primeira vez em meu longo histórico com livros do gênero, não como uma história de amor, mas sim uma história de perdão. Perdão e reflexão... componentes portentosos para amantes que desejam uma boa leitura. 

“- Eu também não preciso de hipocrisia para ser feliz. Não é ela que nos faz feliz. Mas se a hipocrisia ergue os dentes e lhe esmaga, você acha que pode manter-se em pé? Como você se sentirá quando todos aqueles que conhece lhe virarem a cara e lhe oferecerem o desprezo a cada passo que dá?”.