O Vento me disse...#61 - Proibido - Tabitha Suzuma


Proibido
Autora: Tabitha Suzuma
N° de páginas: 304
Editora: Valentina
Ano: 2014
Skoob: Aqui
Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis. Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes. Eles são irmão e irmã. Com extrema sutileza psicológica e sensibilidade poética, cenas de inesquecível beleza visual e diálogos de porte dramatúrgico, Suzuma tece uma tapeçaria visceralmente humana, fazendo pouco a pouco aflorar dos fios simples do quotidiano um assombroso mito eterno em toda a sua riqueza, mistério e profundidade.
Meu primeiro contato com Proibido da Tabitha Suzuna foi em meados de 2013 através de uma tradução amadora em pdf realizada por um leitora brasileira. E mesmo a tradução não sendo 100% dava para notar que o livro não era só mais uma simples história, e foi um fato que ele me emocionou profundamente. Assim, como também foi fato que apesar de já ter o físico (lançado pela Valentina em 2014) há quase um ano guardado na estante, não tive a coragem de reler essa história... não até essa semana.

Tenho que adiantar que isso aconteceu não pelo livro ser ruim, muito pelo contrário. Proibido possui aquelas histórias que simplesmente terminamos e ficamos pensando naqueles personagens, no que eles passaram; sentimos o que eles sentiram, entende? Os "se's" continuaram na minha cabeça por muitos dias e me peguei diversas vezes me questionando como seria se tudo fosse diferente.

"Aos cinco anos ela já aceitou uma das mais duras lições da vida: que o mundo não é justo..."
O livro possui dois locutores que intercalam a narração. Maya e Lochan são os protagonistas, são irmãos, amigos, companheiros... são pecadores. Condenados por sentirem emoções que irmãos não deveriam sentir um pelo outro. Isso mesmo, vocês não entenderam errado, o livro aborda o incesto - o envolvimento sexual entre pessoas do mesmo sangue. Sei que muitos são mais sensíveis e de cara já devem parar por aqui e não vão querer saber nada, afinal, quando posto em realidade é absurdo e nojento uma coisa dessas, no entanto, se você decidiu seguir mesmo pensando assim (foi o que pensei também e ainda continuo pensando), preparem-se para acompanhar uma história dramática que vai além do certo ou errado. 

Maya está prestes a fazer 17 anos, Lochan está perto dos 18. Juntos eles cuidam dos três irmãos mais novos, da casa, dos estudos e deles mesmos. Filhos de um pai que os deixou há tempos e de uma mãe cada dia mais bêbeda e distante, os dois lutam para manter todos juntos e não em um instituição social do governo. As obrigações são muitas e a vida é complicada. Eles estão sempre no limite e acabam sendo afetados de alguma maneira. Seja como o Kit, filho do meio, que anda com quem não presta e sempre se rebela, seja como os menores Willa e Tiffin, que acabam sofrendo sem o carinho de mãe, seja como a Maya que por possuir obrigações de uma adulta não pode ser uma adolescente "normal" ou como o Lochan que acaba sofrendo de uma fobia social que o impede de se socializar na escola.

É nesse caos que os protagonistas acabam criando uma ligação que vai além do que se é permitido. Não foi algo planejado ou que foi logo percebido, foi algo que de repente estava ali. Por isso não pensem que foi fácil para eles aceitarem esses sentimentos que por diversas vezes foram negados. No entanto, as coisas chegaram a um ponto em que os dois já não conseguiam se ver da mesma forma que antes. 
"O trimestre se arrastra. As obrigações são muitas, o tempo curto: os trabalhos continuam se acumulando, eu me esqueço de ir ao mercado, Tiffin precisa de uma calça nova, Willa precisa de sapatos novos, as contas a pagar vão se acumulando, mamãe perde de novo o talão de cheque. Como ela está se afastando cada vez mais da vida familiar, Maya e eu dividimos tacitamente as tarefas...".
É bem verdade que a trama não possui grandes reviravoltas e passa boa parte da história narrando o cotidiano dos irmãos que tentam sobreviver aos problemas, ao tempo em que veem o relacionamento deles mudarem. Por isso, adianto que não procurem muitas ações nesse volume e já esperem uma lentidão no começo da história. Apesar dessa demora inicial, quando o cerne da história começa a ser realmente desenvolvido é praticamente impossível parar à leitura.

Não quero entrar em questões morais e/ou religiosas por isso encarei a trama simplesmente como uma história de amor. Julguei menos, condenei menos e me emocionei mais! É como diz no livro, "como uma coisa tão errada pode parecer tão certa?". Queria que as coisas tivessem terminado de uma maneira diferente, mais sei que a beleza da obra está também no seu fim trágico (de deixar o  mestre dos amores impossíveis William Shakespeare orgulhoso). 
"O que acabou de acontecer foi mágico, e ao mesmo totalmente natural, como se no fundo eu sempre soubesse que esse momento chegaria, embora nunca, nem uma vez se quer, tivesse me permitido pensar conscientemente nele, imaginá-lo sob qualquer aspecto".  
Sobre a edição da Editora Valentina eu gostei bastante. Ela possui uma diagramação simples e bem bonita, o início dos capítulos são bem legais e não lembro de ver erros de revisão ou tradução. As folhas são amareladas e a fonte do tamanho certo (nem grande e nem pequena demais). Ahhhh e o que dizer dessa capa? Maravilhosa!

Por fim, preparem-se para se emocionar, questionar, chorar, ter esperança, se revoltar, julgar... e aceitar que nem sempre as coisas acontecem como se é o esperado por você, por mim, pela sociedade. Quando assim o fizer, verá que as mais belas histórias de amor não só são aquelas dos casais "perfeitos" e dos felizes para sempre. Existe um lado imperfeito que também é intenso e que nos mostra que o sentir é a coisa que mais nos marca na vida, e que a morte é a responsável por eternizar ela.

Proibido já está eternizado e definitivamente é um dos meus livros favoritos!!!

6 comentários :

  1. Ola, tudo bem?
    Já vi muitas resenhas positivas, e agora a sua também. Mas como não faz muito o meu estilo, não tenho intenção de lê-lo.
    Beijos!

    Http://excentricagarota.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  2. Oi, Nathalia. Tudo bem?
    Amei sua resenha!
    Acho o incesto um tema bastante polêmico, por isso, até hoje não criei coragem de realizar a leitura. Porém ao ler sua resenha fiquei com aquele pulguinha atrás da orelha e me bateu uma vontade inesperada de ler, devido aos seus excelentes comentários.
    Vou anotar a sua dica e com certeza ainda esse ano lerei...
    Beijos

    http://coisasdediane.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  3. Olá,

    Eu não sabia que esse livro tratava de incenso, gente, tô chocado. Depois de ter feito a leitura da sua resenha tenho que deixar bem estampado, "ESTOU LOUCO PARA LER ESSE LIVRO". O tema abordado chamou muita a minha atenção, a forma que você elogiou a obra me animou também. Adicionei à minha lista de desejados e irei fazer a leitura quando possível! ♥

    → desencaixados.com

    ResponderExcluir
  4. Proibido é um livro extremamente complicado ele te comove e te leva a um patamar de sentimentos inacreditáveis !Eu ainda não sei o q senti sobre este livro ele te joga contra tudo aquilo que vc imagina e acredita! No final eu odiei e não sei o q senti de verdade ainda estou confusa

    ResponderExcluir
  5. Ola
    Eu também já fiz essa leitura e acho esse livro arrasador também, sempre recomendo muito essa leitura repleta de emoções e conflitos. Adorei poder conferir suas impressões a respeito, e claro, me identifiquei muito com sua resenha, impossível não se comover, seja pela temática ou pelos personagens marcantes, enfim tudo é muito intenso mesmo.
    Beijos, F

    ResponderExcluir
  6. Oi, só vejo resenhas positivas sobre o livro mas minha opnião é a mesma, não sei se tenho coragem de ler pois todas falam que sofrem rsrsrs Gostei da sua resenha, mas só ela já me da um aperto no coração. Devo continuar adiando. Bjs

    ResponderExcluir

Uma das coisas que mais incentiva uma blogueira é saber o que estão pensando sobre o seu trabalho. Por isso seu comentário é IMPORTANTE. É com ele que vou saber se estou indo pelo caminho certo. Criticas positivas? são mais que aceitas. Criticas negativas? também, só peço que seja feita com respeito. Esse é um espaço para trocar ideias e espero ver você por aqui.