O Vento me disse...#55 - O Teste - Joelle Charbonneau (Livro I)


O Teste
Autora: Joelle Charbonneau
N° de páginas: 320
Editora: Única
Ano: 2015
Skoob: aqui
No dia de formatura de Malencia ‘Cia’ Vale e dos jovens da Colônia Cinco Lagos, tudo o que ela consegue imaginar – e esperar – é ser escolhida para O Teste, um programa elaborado pela Comunidade das Nações Unificadas, que seleciona os melhores e mais brilhantes recém-formados para que se tornem líderes na demorada reconstrução do mundo pós-guerra. Ela sabe que é um caminho árduo, mas existe pouca informação a respeito dessa seleção. Então, ela é finalmente escolhida e seu pai, que também havia participado da seleção, se mostra preocupado. Desconfiada de seu futuro, ela corajosamente segue para longe dos amigos e da família, talvez para sempre. O perigo e o terror a aguardam.Será que uma jovem é capaz de enfrentar um governo que a escolheu para se defender?
Apesar de gostar de ler livros distópicos é um fato também que poucos são aqueles que não me decepcionam. Por isso, você não irá estranhar se disser que estava mais que desconfiada com O Teste, livro da autora Joelle Charbonneau que foi lançado pela Editora Única em 2014. Apesar dos meus receios me arrisquei na leitura e encontrei um enredo instigante, ou seja, um enredo que soube despertar e manter meu interesse até as derradeiras páginas.

O livro conta à história de uma jovem chamada Malencia Vale. Ela sempre teve o sonho de entrar para a universidade e se tornar uma grande líder para sua colônia (a menor de todas desde que a nação fora dividida no pós-guerra). Para chegar a tanto, Cia tem que passar primeiro pelo Teste- um programa criado pelo governo que seleciona a cada ano apenas os melhores alunos de cada colônia.
O pai de Cia já tinha participado do Teste só que não se lembrava de muitas coisas pois sua memória tinha sido apagada (assim como a dos demais participantes), no entanto, ele tinha sonhos e esses o faziam não desejar que a filha fosse escolhida para o programa, agora, quando acontece dela ser chamada (e não pode haver uma negativa) ele faz um alerta: não confie em ninguém.

Cia logo entende o porque do conselho do pai. O Teste não é apenas uma avaliação de quem poderia ser o melhor ou mais inteligente. Quem comete erros acaba pagando muito caro e quem consegue concluir o processo não se lembra de nada e nunca mais vê a sua família. Para sobreviver  -literalmente - ao Teste, Cia, terá que enfrentar várias etapas que se tornam cada vez mais difícil a medida que avança e tem que ficar de olho na concorrência, inclusive naqueles que dizem ser seus amigos, afinal, apenas 20 pessoas são aprovadas e, quem fica para trás não tem outra chance.

É bem verdade que num todo, a ideia do Teste não é tão original assim, afinal, não é a primeira vez que vejo um mundo dividido em colônias e que um grupo de jovens destas "acabem" tendo que lutar por suas vidas (vide Jogos Vorazes). No entanto, apesar do livro da Joelle ter um ou outro elemento que nos remete uma distopia já conhecida em nenhum momento deixa de ser algo novo, diferente e bom de se acompanhar.  

A narrativa do livro é voltada para o publico juvenil e em primeira pessoa, algo que gostei bastante. No entanto, confesso que a escrita da autora envolve muitas descrições e isso foi algo que me deixou confusa inicialmente. É até "normal" que isso aconteça tendo em vista que O Teste é o primeiro volume de uma trilogia e que por tanto serve como uma "introdução" ao mundo criado pela autora, são muitas coisas para o leitor assimilar. A verdade é que se por um lado temos mais detalhes das coisas, personagens, locais e situações e assimilamos mais o ambiente, por outro lado, a trama se torna mais lenta e um pouco demorada para engrenar.

Outro ponto positivo são os personagens criados pela autora, sinceramente gostei de todos. As características destes foram delineados de uma maneira correta e mostrados de acordo com as situações vividas por eles. Cia foi uma grata surpresa para mim. Ela foi real e natural durante todo a trama, ou seja, ela tinha seus sonhos como toda garota tem na idade dela e quando percebia que precisava fazer alguma coisa que ia contra aquilo que aprendeu, ela sentia medo (algo que algumas heroínas não demostram nos dias atuais).

Apesar da Cia possuir todos esses elementos favoráveis devo confessar que uma coisa me incomodou e acredito ser um ponto negativo da trama. A Cia se torna uma personagem perfeita demais, ou seja, ela não erra nunca, suas respostas e intuições sempre a levam pelo caminho "correto". Não sei se vocês me entendem, mais por exemplo: a Katniss de Jogos Vorazes para chegar onde chegou acabou errando algumas vezes e isso foi natural já que ela adentrava  num mundo totalmente diferente do seu, no entanto, no caso do Teste, a Cia sempre consegue se sair, brilhantemente, das situações complicadas. É um pouco crível para mim ver uma menina que mal começou a vida adulta, que não viveu muitas experiências e que veio de uma colônia super pequena consiga os feitos que ela conseguiu na trama.  Eu sei que quando analisamos o contexto do livro que pune, ás vezes com a própria vida, aqueles que erram, é "desculpada" essa pequena falha (já que se ela errasse poderia morrer) - agora, lá no fundo, continuo achando que a autora poderia ter criado uma maneira de induzir erros sem trazer grandes consequências para a protagonista, mais esse é outro assunto que não pretendo me ater neste texto.

Apesar deste último ponto não esperava gostar tanto deste livro como gostei, afinal, o livro nos faz pensar sobre o papel do líder na sociedade e o que as pessoas são capazes de fazer para chegar e se manter no poder. A trama também me fez refletir como viveríamos se tivéssemos uma outra guerra mundial e nossos rios, lagoas, florestas e solos fossem contaminados. Por fim, espero que a Joelli Charbonneau continue com uma história bem desenvolvida no segundo livro - Estudo Independente - e também espero continuar com boas opiniões a respeito. Por hora, sem grandes alardes, indico a leitura desta trama. 
" Não depois de tudo o que testemunhamos e as coisas que fomos forçados a fazer. Desistir seria como admitir que nada importou. E precisa importar. E precisa ser lembrado".
   

9 comentários :

  1. Oi, nunca dei muita atenção para este livro e fiquei pensando nesta reflexão sobre a liderança e acho que a partir disto, eu apreciaria a leitura.
    Valeu pela dica.
    MEU AMOR PELOS LIVROS
    Beijos

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  2. Olá amore,
    Oie não conhecia o livro, e pra ser sincera não me instigou a leitura não.
    Apesar de curtir algumas distopias, essa não sei se seria alguma que eu leria nesse momento.
    Beijokas
    www.facesdeumacapa.com.br

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  3. Olá!
    Já ouvi falar desse livro, mas nunca tive curiosidade de ler e continuo não tendo.
    Gostei muito da sua resenha e percebi essa semelhança com Jogos Vorazes, apesar de ter notado alguma diferença também.
    Entretanto, não gostei de saber que a protagonista é perfeita, acho que todos nós cometemos erros e acertos.
    Vou deixar a dica passar.
    Beijos

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  4. Eu não sou muito fã de distopias, principalmente porque muitas delas deixam de focar em pontos importantes e interessantes para se prender em um romance e tal. Não que eu não goste de romances, eu gosto e muito, mas em alguns momentos é mais importante os outros detalhes do que quantos caras amam a personagem principal, entende?
    Dito isso, o teste chamou bastante a minha atenção. Ele me pareceu ter um que de diferente embora não seja nada que não encontre em outros livros. foi ótimo ler sua resenha e ver que mesmo ele tendo os momentos 'iguais' a outras distopias não quer dizer que ele não seja algo novo e diferente. Gostei disso.
    E que pena que a personagem acaba se mostrando um pouco 'boa' demais em não cometer erros. entendi o que você quis dizer, mas acho que ficarei com a mesma sensação de que ela não deveria ser tão perfeita - mesmo que errar custe sua vida...
    Está na lista e espero curtir a leitura...
    Beijinhos,
    Lica
    Amores e Livros

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  5. Eu nunca tinha prestado atenção nesse livro e ele me parece bem fatalista. Se conclui o Teste perde a memória e se erra também paga caro... de ambas as formas, acaba perdendo alguma coisa! Claro que de forma diferente, mas será tão interessante assim participar dele? Acho que preciso ler para tirar minhas próprias conclusões! Abraços

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  6. Oi, tudo bem? Eu amo distopias e acho que já li várias jogos vorazes, divergente, a quinta onda, a rainha vermelha e por incrível que pareça sempre acabo gostando de todos acho que pelas críticas que elas tem a sociedade e ao poder. Enfim... já tinha visto esse livro por ai mas até então não sabia sobre o que se tratava e apesar de ter elementos já conhecidos realmente eu achei bem interessante. Mesmo com os pontos negativos que você citou principalmente o excesso de descrição que é algo que eu não sou fã achei a premissa interessante e claro já foi para a minha lista.
    Bjs

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  7. Oie!
    Nossa curti muito a sua resenha e a sua sinceridade. Li bastante coisa positiva sobre essa história e como eu sou muito chegada a uma boa distopia, tenho muita vontade de ler essa trilogia.

    beijos
    Mayara
    Livros & Tal

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  8. Olá,
    No tempo em que os livros distópicos estavam mesmo no ápice, eu ainda não tinha lido nenhum, até que li o livro Fragmentados e acabei me encantado pelos livros distópicos. Os livros dessa série sempre me chamaram atenção, mas nunca tinha tido o momento certo de ler, com a correria da faculdade acarretou que a série ficasse despercebida, até que surge você com o livro novamente e desperta de novo o interesse pela leitura!!!

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  9. Olá!
    Já cheguei a me interessar por essa trilogia, mas depois fui perdendo o interesse, talvez por estar cansada de ler sobre esses livros o meso formato de outros, divisão da sociedade, lutar para sobreviver, ser o melhor e outras coisas.. que bom que o livro te conquistou e a leitura foi agradável.. a sua resenha está completa com todos os pontos, mas mesmo assim acho que não vou ler tão cedo rs'

    Beijos!
    http://lovesbooksandcupcakes.blogspot.com.br/

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