O Vento me disse...#54 - A Promessa da Rosa - Babi A. Sette



A Promessa da Rosa
Autora: Babi A. Sette
N° de páginas: 432
Editora: Novo Século
Ano: 2015
Skoob: aqui
Século XIX: Status, vestidos pomposos, carruagens, bailes… Kathelyn Stanwell, a irresistível filha de um conde, seria a debutante perfeita, exceto pelo fato de que ela detesta a nobreza; é corajosa, idealista e geniosa. Nutre o sonho de ser livre para escolher o próprio destino, dentre eles inclui o de não casar-se cedo. No entanto, em um baile de máscaras, um homem intrigante entra em cena… Arthur Harold é bonito, rico e obstinado. Supondo, por sua aparência, que ele não pertence ao seu mundo, à impulsiva Kathelyn o convida a entrar no jardim – passeio proibido para jovens damas. Nunca mais se veriam, ela estava segura disso. Entretanto, ele é: o nono duque de Belmont, alguém bem diferente do homem que idealizava, só que, de um instante a outro, o que parecia a aventura de uma noite, se transforma em uma paixão sem limites. Porém, a traição causada pela inveja e uma sucessão de mal-entendidos dão origem ao ciúme e muitas reviravoltas. Kathelyn será desafiada, não mais pelas regras sociais ou pelo direito de trilhar o próprio caminho, e sim, pela a única coisa capaz de vencer até mesmo a sua força de vontade e enorme teimosia: o seu coração.
Dizem que nós, mulheres, eramos  as primeiras a julgar e levar às outras mulheres ao escárnio e margem da sociedade, dizem também, que fomos nós as primeiras em transformar os graves erros dos homens em simples defeitos comuns... infelizmente, concordo até certo ponto com essas afirmações e o que é pior, temo que em pleno século XXI ainda ocorra tais absurdos (mesmo que de forma velada e diferenciada). Em A promessa da Rosa, livro da autora brasileira Babi A. Sette que foi publicado pela Editora Novo Século no Brasil, vamos conhecer uma personagem que  sofreu com o julgamento dos desconhecidos, daqueles que eram seus amigos, do homem que amava e até mesmo da sua própria família. Julgamentos que vieram pelo fato da mesma ser a frente do seu tempo, ou simplesmente, por ela ser como é (e não como se era esperado por uma sociedade machista).

Kathelyn nunca fora uma “dama” nos moldes que uma moça londrina do século XIX deveria ser. Desde criança mostrava ser diferente, no lugar de vestidos e laços o que ela mais gostava era de subir em árvores e montar cavalos. Isso sempre gerou grandes reprimendas do seu pai que mesmo com o tempo decorrido nunca conseguiu "controlar" a personalidade forte da filha, que em sua primeira temporada acaba participando de um baile de máscaras e finda conhecendo um homem que para ela “não tinha o aspecto de um cavalheiro”. Este nada mais era do que Arthur, o duque de Belmont, que depois de descobrir quem era a moça que parecia saber tudo sobre antiguidades faz um acordo de casamento com o pai dela sem que ela saiba de tal fato (já que o mesmo pretendia conquistar ela antes de anunciar o casamento). Por esse motivo, Arthur, corteja e faz de tudo para que a Kathelyn goste dele- posso adiantar que ambos acabam se apaixonando um pelo outro, de verdade. E é nessa normalidade que decorre o que chamo de primeira parte da trama.

Confesso que essa "primeira parte" me lembrou alguns aspectos do livro Whitney, meu amor da autora Judth McNaught. Para ser mais especifica, cito o encontro dos protagonistas que foi em um baile de máscaras, a parte em que a mocinha “desdenha” dos títulos da nobreza, sem saber que ela fala com um nobre e o fato do casamento ser arranjado sem que a protagonista saiba. É verdade que as semelhanças param por ai, pois se o enredo de Whitney, meu amor  não tem grandes consequências a partir do casamento dos protagonistas, em A Promessa da Rosa, muita coisa se desenvolve, agora, não com o casamento, mais sim, com o NÃO casamento da Kate e o Arthur.

Por uma situação embaraçosa e algumas artimanhas o casamento dos protagonistas acaba não acontecendo. E como se era de esperar, quem sofreu com as maiores consequências desse fato foi a Kathelyn, que foi julgada como uma mulher "qualquer" pela sociedade. Expulsa de casa, ela enfrenta a fome, o desespero, o isolamento e o desprezo daqueles que deviam amá-la incondicionalmente. Estes momentos fizeram com que ela, três anos depois, se transformasse em Lysa Borelli; uma viúva, cantora de ópera e o mais importante para a sociedade (machista), uma amante exímia e de uma beleza angelical. A verdade é que "Lysa" de certa forma era uma personagem, que foi criada basicamente da imaginação do que os outros pensavam sobre ela e que foi alimentada por ela e seus grandes amigos Steve, Philipe, Jonas e sua preceptora Elsa (que se tornou uma mãe para ela desde que fora expulsa de casa). Assim, Kate ganhou fama, dinheiro e uma série de bajuladores. Em Paris, quando pensava já estar livre de qualquer influência do passado, ela acaba reencontrando aquele que foi o responsável pela sua ruína. Belmont estava disposto a tudo para tê-la novamente e Kate, apesar de tudo, estava presa em um amor inacabado, em um passado complicado, em um desejo de vingança e uma eterna promessa.

Este ponto do livro da Babi A. Sette é mais intenso e dramático pois possui elementos que tornam a trama bem mais consistente e interessante para o leitor. Lysa Borelli é o resultado das experiencias de vida da Kathelyn. E que experiencia meus caros. A personagem sofre muito (apesar da autora não entrar em detalhes) para chegar onde chegou.  E é neste momento, quando conhecemos as consequências de ser diferente daquilo que se espera de uma mulher da "sociedade", que refletimos... Foi nesse momento que caiu a ficha! Quantas mulheres não devem ter sofrido como a protagonista nos séculos passados? E o que é pior, quantas e quantas não sofrem, mesmo que não seja tão abertamente e de forma diferenciada, nos dias atuais? 
O diferencial de A Promessa da Rosa é esse, é a capacidade de uma história aparentemente "simples" e "romântica" nos fazer refletir sobre o papel da mulher na sociedade atual, o quanto o "machismo" ainda está enraizado na nossa cultura e o modo como ele, ainda, emprega preconceitos.   

Sobre o enredo, confesso que dois pontos me deixaram um "sabor amargo na garganta": a "vingança" que não foi feita necessariamente pelas mãos da Kathelyn (o que talvez tenha sido o caminho mais fácil para a autora) e o desfecho de um personagem (que merecia mais que a morte). A verdade é que o destino e o tempo acabou dando suas cartas e por mais que não fosse o que eu esperava, não deixou de ser algo positivo.

Por fim, a leitura da obra foi uma grata surpresa para mim, que não conhecia nada da autora. As mais de quatrocentas páginas passaram "voando" a medida em que a história se desenrolava, intercalando as visões de ambos protagonistas. Falando neles, encaro o envolvimento da Kate e do Arthur, pela primeira vez em meu longo histórico com livros do gênero, não como uma história de amor, mas sim uma história de perdão. Perdão e reflexão... componentes portentosos para amantes que desejam uma boa leitura. 

“- Eu também não preciso de hipocrisia para ser feliz. Não é ela que nos faz feliz. Mas se a hipocrisia ergue os dentes e lhe esmaga, você acha que pode manter-se em pé? Como você se sentirá quando todos aqueles que conhece lhe virarem a cara e lhe oferecerem o desprezo a cada passo que dá?”.

2 comentários :

  1. Oiii Nathalia

    Assim como vc tb nvo conheço nada do trabalho da autora, porém, espero conferir alguns de seus livros futuramente já que estão sendo bem comentados e elogiados. Achei a capa de A Promessa da Rosa lindissima.

    Beijos

    unbloglitteraire.blogspot.com.ar

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  2. Oi Nathalia!
    Eu não consegui ler nada ainda dessa autora, mas sempre vejo falar bem!
    Gostei muito da sua resenha, pude saber mais detalhes da história e fiquei curiosa ;)
    Bjs
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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